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sexta-feira, setembro 11, 2015

Quarteto Fantástico (2015), de Josh Trank.


Olá galera. Passando aqui para falar mal de um filme, pode ser?

Juro que fui assistir ao reboot de Quarteto Fantástico com as expectativas abaixo do nível do mar. Aí o começo do filme me empolgou e, até mais ou menos a metade, fiquei me questionando se era realmente a bomba que a galera anunciou.

Meu erro foi ter assistido ao resto do filme.

Pode conter spoilers, mas não se preocupe. Eles não vão estragar o filme para você. A Fox já fez isso.

Bom, vamos lá: F4 deveria se chamar Fantastic 5. Ou 6. Sue (Kate Mara, com sua beleza esquisita) , Johnny (Michael (superestimaaaado) B. Jordan, Reed (Miles Teller, bom ator até metade do filme), Von Doom (Toby Kebbel, desperdiçado), Grimm (Jamie Bell, sumido no filme) e Franklin Richards (Reg E. Cathey, excelente ator e vozeirão). Seis personagens centrais onde só deveria haver quatro. 

Mas tudo bem. Analisemos os pedaços.

Gostei do Teller como Reed Richards : nerd sem ser bobo demais, arrogante e com muito caminho pela frente. Maaas da metade do filme em diante... ele resolve "atuar" no automático e liga o modo canastrão. Ridículo.

Senti falta de Ben Grimm. Jamie Bell parece estar fazendo apenas uma participação breve. Ele some durante um terço do filme. Um dos personagens mais importantes e com mais potencial é jogado para escanteio e lembrado depois com a cara de pau de uma mensagem no celular. F*da. Sem falar que o Coisa ficou muito, muito feio, e isso foi desnecessário. E ficou muito rabugento também. E não há nada do humor de Ben Grimm.


O Tocha Humana de Jordan ficou uma bosta humana. O cara é medroso, meu! Ele nem faz piadinhas o tempo todo! Ele é rabugento! Mataram o Johnny. RIP.

A Sue de Kate Mara é interessante, intrigante, bonita e inteligente, mas antipática e distante. Fria. Do começo ao fim. Pelo menos ela curte Portishead.

Reg E. Cathey entrega um Franklin Richards fantástico: inovador, motivador, apaixonado. O melhor do filme, com certeza.

Toby Kebbel... putz. Um Victor Von Doom simpático, meu! Um cara normal, que eventualmente sente ciúmes e que quer que o mundo acabe. Tipo aquela parada "Morte ao Capitalismo", saca? E depois, quando ele se torna o Dr. Destino... Eu me recuso a falar sobre isso. 


A trilha sonora de Marco Beltrami e Philip Glass soa como se fosse de Danny Elfman. E isso não é bom.

A participação do exército no filme é uma palhaçada. Michael Bay teria feito melhor.

Josh Trank dirige o filme até o meio. Depois libera geral e vira putaria. Você sente a mão do cara, a pegada dele de "Poder Sem Limites". Depois...  desanda. E você  fica na inércia até o final genérico e broxante. Acho que ele deve ter feito o mesmo.

Resumindo: Não vá assistir pensando que é filme do Quarteto. Está mais para uma livre adaptação. Bem livre. Bem distante. E que não correspondeu às expectativas. De jeito nenhum.

Agora as ressalvas: não é um "Lanterna Verde". Há o que se aproveite, mas você vai ter que procurar muuuito. Mas não busque um "Cavaleiro das Trevas" também.

No geral, nota 5 de 10. 

Meu aviso: assista até a passagem de tempo (um ano depois) e imagine o resto. Vai ser melhor que o filme com certeza.

Abraços e desculpem a ausência. Tentarei aparecer com mais frequência.

Valeu. e Bom fim de semana.

E bom filme. Se conseguirem.

sexta-feira, julho 10, 2015

Spring (2014), de Justin Benson e Aaron Moorhead, ou: O amor é um monstro.


Como é difícil aceitar o outro num relacionamento.Como é difícil abraçar as diferenças, e perceber que aquela é uma outra pessoa com gostos, gestos, atitudes, pensamentos e desejos diferentes dos seus.


Meu Amigo e Mestre Assis Oliveira me apresentou a um filme estupendo, simples e estranho em sua beleza: "Spring", de  Justin Benson e Aaron Moorhead. Lançado em 2014, é um filme independente, estrelado por Lou Taylor Pucci e (lindalindalinda) Nadia Hilker.

Nadia Hilker. Que linda!
Vou tentar não entregar spoilers.

Evan sai dos EUA rumo a Itália após a morte dos pais, em busca de um sentido para sua vida. Chegando lá, consegue se hospedar em troca de trabalho numa fazenda produtora de azeite de oliva, e conhece Louise, uma linda morena italiana misteriosa.

Ela é cientista, ele é apenas um cara normal. Mas a dinâmica deles dois é muito bacana. É impossível você não enxergar no Evan aquele amigão, cara legal. É impossível não se apaixonar por Louise e seu sorriso. Mas aí entram os complicadores, as famigeradas "diferenças".



"Spring" é uma grata surpresa, um terror-suspense-sci-fi-romântico (WTF???) que funciona. O roteiro é muito bacana, a fotografia é linda, a trilha sonora é fantástica. Não se engane pelo início do filme, pois ele te pega e te leva até o final torcendo para que a história dos dois dê certo no final.

Assista sem medo, é um filme excelente. Eu gostaria mesmo de falar mais sobre ele, mas qualquer detalhe extra pode estragar a experiência de vê-lo.

Abraços a todos e até a próxima.

quinta-feira, junho 25, 2015

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

Jurassic World, 2015
Dir: Colin Trevorrow
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas-Howard, Ty Simpkins, Nick Robinson


quinta-feira, junho 18, 2015

Waterborne


A vida animal australiana não é exatamente amistosa, é como jogar Far Cry no nível ultra hard... Por toda a vida. Quer dizer, o lugar tem cangurus, os seres mais bizarros da Terra, que são basicamente bolas de músculos que pulam e chutam com os dois pés enquanto se equilibram em suas caudas. São seres assustadores, são como golfinhos fora da água. Não há lugar seguro! Aí você pensa que existem cangurus com 2 metros de altura, bombadaços e que colocam medo em qualquer ser humano e acha que não tem como ficar pior. Pense novamente, porque hoje eu lhes trago um curta-metragem fabuloso (e levemente galhofa) chamado Waterborne!

Waterborne conta a história de... Que se dane! Tem cangurus, tem zumbis, tem cangurus zumbis e se passa na Austrália! E não é uma comédia, é um filmezinho que até se leva a sério.
Enfim, um guarda florestal encontra um lago de água contaminada com algas que pode colocar em risco a saúde de quem a consumir. Ele só não contava com os efeitos colaterais do consumo da água e com a própria estupidez!
Waterborne from Octopod Films on Vimeo.

segunda-feira, junho 15, 2015

Parallels

Parallels - 2015
Dir: Christopher Leone
Elenco: Mark Hapka, Jessica Rothe, Eric Jungmann

domingo, maio 24, 2015

Garota Exemplar (2014), de David Fincher: O quão perfeita é sua vida?, ou: Sobre o casamento.



Quando penso em minha esposa, sempre penso na parte de trás de sua cabeça. Imagino-me quebrando seu adorável crânio, tirando seu cérebro lá de dentro, tentando achar respostas. As questões primordiais de um casamento: Em que você está pensando? Como você está se sentindo? O que fizemos um ao outro? O que faremos?



David Fincher é um gênio. Não li o livro de Gillian Flynn, mas após assistir a "Garota Exemplar" (Gone Girl, 2014), senti-me tentado a ver se o clima trazido/traduzido por Fincher neste filme é o mesmo, ou se apenas o filme é espetacular.


Sim, ele é.

Absurdamente simples em sua proposta e extremamente intrigante em sua composição. Peças de um quebra cabeças, pensado por um gênio matemático que compreende, acima de tudo, as agruras desta que é considerada a empresa mais difícil entre dois seres humanos: o casamento.

Não se engane pensando que este é um filme de suspense. Não é. Desde o início fica claro que esta película trata sobre o amor dentro desta instituição analógica. Sobre confiança, respeito, sobre estereótipos, sobre subestimar o efeito da passagem do tempo no outro.

Sobre esquecermos quem é o outro e quem vendemos para ele no início.

Ah, o início... no fim, a culpa sempre é dele.


Nick Dunne (interpretado pelo sempre subestimado Ben Affleck - e aqui desmerecidamente) é alguém que tem uma vida perfeita: vive bem, mora bem, e é casado com Amy (estupidamente linda e extremamente perfeita Rosamund Pike), a Garota Exemplar do título - a queridinha da América, personagem real de uma série de livros baseados em sua infância e adolescência. Todos amam Amy, mas na manhã de seu quinto aniversário de casamento ela simplesmente some.


Não demora e todos começam a suspeitar de Nick, que tem sua vida devassada pela mídia voraz e pela polícia - que crê nele cada vez menos à medida em que vão surgindo pistas que o incriminam.

E o filme é cheio de reviravoltas. E não vou soltar spoilers, apesar de assisti-lo com um ano de atraso.

Precisa ser visto com calma, com atenção e com cuidado. É um filme muito verossímil. Podia ser comigo.


Podia ser com você.

Como você tem tratado seu marido? Sua esposa? Sua amante?

Quem é sua família?

O quão perfeita é sua vida?

Seus esqueletos estão todos bem guardados no armário?

David Fincher, senhoras e senhores, provando a todos que não há herois nem vilões. Somos eu e vocês. E o amor pode matar tanto quanto sua falta.

Boas noites e bom filme.

quinta-feira, maio 21, 2015

5 Filmes Sobre Viagem No Tempo Nada Usuais


Viagem no tempo é um tema que, por si só, aumenta o nível de complexidade de uma obra, seja ela qual for. Além de ser um tema largamente explorado, contado e recontado das mais diversas formas. Fazer um filme sobre esse tema já é algo difícil. Fazê-lo bem e funcional é algo ainda mais complicado. Agora, fazê-lo de forma que ele se destaque, subvertendo a fórmula de sucesso... É outra história.

segunda-feira, maio 18, 2015

quinta-feira, maio 07, 2015

Breathe, de Toby Meakins


Breathe é um curta metragem que vai dar um nó na sua cabeça. São 5 minutos de filme absolutamente surpreendentes. Uma ideia simples que se transformou em uma pequena obra de arte, bela e assustadora.

domingo, maio 03, 2015

Vingadores - Era de Ultron

Avengers - Age of Ultron (2015)
Dir: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Scarlett Johansson.

segunda-feira, abril 27, 2015

Future Hero


Future Hero é um curta-metragem de ficção científica (mais ou menos) que conta a história de um cara que volta no tempo para salvar a si mesmo de um androide assassino do futuro que ameaça sua vida.

domingo, abril 26, 2015

Prometheus (2012) - de Ridley Scott (Repost)


Muito já se falou sobre reboots e prequels. Muitas críticas foram feitas à indústria cinematográfica sobre "eles" quererem apenas ganhar dinheiro e não terem mais originalidade.

Ponto 1: Quem não quer ganhar dinheiro? Por favor, não sejamos hipócritas.

Ponto 2: O que é originalidade? Contar uma história que ninguém nunca ouviu ou viu igual, parecida ou semelhante, usando recursos inéditos? Onde existe isso? Tudo se baseia em algo anterior. Originalidade é uma pretensão que já nasce falha.

O fato é que Prometheus (2012) é um bom filme, que entrega o que vende. É um filme de ficção científica e suspense. É um ponto de partida para a história que deu origem à série de filmes "Alien". É o uso absurdamente capaz da tecnologia para recriar mundos. É um filme que discute (superficialmente, certo) a relação entre ciência e religião.

Ou não? O que você esperava?

O filme tem furos de roteiro? Qual não tem? É preciso ter uma enorme suspensão de descrença para aceitar o que ali está sendo contado?

Ah, pelo amor de Zeus, vá assistir documentários então! Isso é Cinema, meu querido, isso é entretenimento! Uma das coisas que me dá mais pena é assistir a um filme perto de alguém que fica dizendo: "Mas que mentira! Isso nunca iria acontecer". F*da-se você e sua mentalidadezinha de novela da Globo. Eu sou fã de cinema e de FC, e deixo essas limitações mesquinhas para mentes pequenas.

Desabafo feito, retornamos.

O filme é um primor aos olhos e ouvidos. Os efeitos (sonoros e visuais) são de cair o queixo. A trilha sonora é magistral, e nos acompanha do início ao fim, sempre harmonizada com o ritmo de cada segmento de cenas. Os atores principais são excelentes, mas o elenco de apoio deixa um pouco a desejar. Destaco aqui o trabalho de Michael Fassbender como o sintético David, arrasando tudo com sua performance assustadora. Parece uma criança de sete anos de idade com uma curiosidade sem limites e nenhuma amarra moral.

Noomi Rapace está também excelente como a Doutora Elizabeth Shaw, pesquisadora que conduz o grupo na sua busca pelos Engenheiros, nossos criadores. A (sempre excelente) Charlize Theron não decepciona como Meredith Vickers, capitã da nave, e Idris Elba está excelente como Janek, o piloto da Prometheus.

Não há espaço para humor aqui. O filme pega ritmo a partir do momento em que eles desembarcam na lua LV-223, que circunda um gigante azul e gasoso na zona de vida de um sistema solar que tem um sol parecido com o nosso. Chegando lá guiados por pinturas rupestres e representações pictográficas de vários povos da Terra com milhares de anos, buscam encontrar respostas junto àqueles que - supõe-se - são nossos verdadeiros criadores.

Mas as coisas não saem como planejado e logo nos deparamos com criaturas nunca antes vistas, letais e belos seres vivos completamente - desculpem o uso da palavra - alienígenas.

Rapidamente se instaura o caos, e as pessoas começam a morrer como num bom filme de suspense.

Não falo mais por não gostar de espalhar spoilers para quem não assistiu, mas aconselho que o filme seja visto. De preferência em HD, para que se possa aproveitar todo o potencial visual que Ridley Scott nos propicia.

Alerto aqui os leitores para as influências e homenagens feitas aos senhores H. P. Lovecraft (deus da literatura gótico-fantástica de terror e ficção) e ao Erich Von Däniken, escritor pilantra que associou o desenvolvimento e evolução da raça humana a deuses alienígenas em sua obra mais famosa, "Eram os Deuses Astronautas".


O que move os cientistas de Prometheus e Peter Weyland (Guy Pearce, impecável sob uma maquiagem perfeita e quase irreconhecível) é a busca pela divindade, que pode te trazer respostas para as questões primordiais ou te conceder mais tempo de vida.

Classificação:



E você, o que seria capaz de fazer, até onde iria, para encontrar seu criador?

Deixo-vos com este questionamento e me despeço após a dupla postagem de hoje. Putz, isso cansa, mas é recompensador.

Abraços do Ladrão de Almas, M.Euclides.

quinta-feira, abril 23, 2015

O Destino De Jupiter (2015) - Os Irmãos Wachowsky (BOMBA!)


O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending), o mais novo trabalho dos Irmãos Andy e Lana Wachowsky (Matrix, A Viagem, V de Vingança), tinha tudo para dar certo. É, tinha. Não deu.

O filme é muito bonito visualmente, mas ainda decepciona. Esperava mais, pra ser sincero. O background do filme é fraco, há muita forçação de barra (o nome da mocinha corresponder com o planeta é foda..., entre outras), e a maquiagem e os efeitos parecem saídos de um episódio mal-dirigido e barato de Babylon 5.

Sério. Esse filme é uma droga.

A atuação mecânica de Mila Kunis (é impossível criar empatia com ela!) só não é mais tosca que o total descaso de Chaning Tatum pelo seu papel. O cara simplesmente não tá nem aí pras paradas. Outra: O Eddie Redmayne tá perdidaço fazendo um vilão meia boca. E mais: O Sean Bean não morre!

Dá pra confiar num filme em que o Chambinho não morre? É porre, véio!

Sério: depois da piração de "A Viagem" (que eu, por sinal, gostei até razoavelmente), eu esperava algo mais para Star Trek que para seriados setentistas meia-boca.

Enfim... ainda bem que eu não estava esperando grandes coisas desta bomba.

Mesmo assim, assista! É uma aula de mau cinema e de dinheiro e talento desperdiçados. Em alguns momentos é tão tosco que quase chega a ser divertido.

Valeu aê.

domingo, abril 19, 2015

Repost - Paris, Te amo

Dia 314
Paris, Je T'aime - 2006
Dir: Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Emmanuel Benbihy, Gurinder Chadha, Gurinder Chadha, Ethan Coen, Joel Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuarón, Gérard Depardieu, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Walter Salles, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Daniela Thomas, Tom Tykwer, Gus Van Sant
Elenco: Juliette Binoche, Gaspard Ulliel, Steve Buscemi, Willem Dafoe, Nick Nolte, aggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Elijah Wood, Olga Kurylenko, Natalie Portman e mais uma cacetada de gente. 

Blade Runner - Ridley Scott (Repost)

Repost

Li esses dias - http://www.philipkdick.com/new_letters-laddcompany.html - uma carta do Philip K. Dick onde ele expressava imensa gratidão pela visão e pelo mundo criado em cima de sua obra Blade Runner. Para quem não sabe, Dick é um dos maiores escritores de Ficção Científica que já existiu. Sua visão do futuro é completamente diferente de tudo o que havia sido escrito até então, com personagens extremamente humanos e imprevisíveis, e diálogos e situações extremamente bem construídos e originais.

Pois bem, senhoras e senhores, neste momento eu e o Felipe trocamos os papeis. Ele ficará com música e eu me aventurarei aqui no cinema. Eu não tenho o mesmo olhar cinematográfico que meu irmão, nem o viés técnico aliado ao talento que acredito ver nele - mas sou um fã apaixonado que tem a capacidade de dizer uma coisa ou duas a respeito de um filme.

E Blade Runner (1982) é, para mim, um marcador de águas. Posso dizer que este filme, lançado no ano em que nasci, foi minha maioridade cinematográfica. Após ele, nunca mais pude ver o cinema enquanto arte da mesma maneira.

Chuva, muita chuva. Aqui não se consegue ver o céu, apenas um dirigível convidando você a morar nas colônias fora da Terra. Deckard aguarda seu macarrão enquanto lê um jornal apoiado na parede que fica em frente ao trailer de comida chinesa/japonesa (?).

Quando senta para tentar comer, dois oficiais de polícia chegam e o conduzem de flutuador até o Capitão Bryant, chefe de Polícia, que lhe deixa a par de uma situação preocupante: alguns replicantes fugiram de seus trabalhos forçados em algum lugar do universo em direção à Terra. Mas esses não são replicantes comuns: São Nexus-6. Parecem humanos, mas são mais fortes e mais ágeis, e tão inteligentes quanto aqueles que os desenharam/criaram.

Deckard é um ex-Blade Runner, um "aposentador" de replicantes, conhecido como um dos melhores. E Bryant o quer nessa missão.


O que são os replicantes? O termo androide não se aplica bem aqui, ou pelo menos não preenche o significado necessário à compreensão. Eles não são mecânicos, ou parte mecânicos - são orgânicos e estão vivos. São criados geneticamente para exercer funções em situações extremas que um ser humano normal jamais conseguiria realizar. Mas devido a problemas de programação e replicação, os Nexus-6 têm vida curta: são programados para morrer quatro anos após sua ativação.


O que você faria se soubesse que sua morte tem dia marcado, e se soubesse quando ela aconteceria? Se você soubesse que era possível procurar seu Criador, o que você faria?

O que pediria?

Estes replicantes têm em mente um pedido simples. Querem mais vida.

Enquanto tenta realizar sua missão, Deckard encontra com Eldon Tyrrell, o criador dos replicantes, e sua sobrinha Rachael. Após um diálogo intenso com os dois, Deckard , através do teste Voight-Kampff, descobre junto com Rachael que esta é uma replicante.

E Deckard segue matando os replicantes. As cenas são cruas e dinâmicas, sangrentas e extremamente violentas. Aqui vemos Deckard como um herói que sofre, sangra e se machuca, tanto física quanto psicologicamente.

E aqui vai uma nota sobre seu envolvimento com Rachael. Sean Young sempre foi uma atriz muito linda, mas aqui ela está magnífica. Seus grandes olhos castanhos, seu rosto de pele macia e traços suaves... nasce aqui um relacionamento amoroso brutal e necessário. A cena de amor entre Deckard e Rachael, tendo ao fundo a brilhante e magistral música de Vangelis, é a cena romântica mais bonita do Cinema.


A jornada prossegue. Logo restam apenas Deckard e Roy Batty, o líder dos replicantes. O embate entre os dois é assustador, com Roy mostrando o tempo todo sua superioridade e inteligência, sua força e capacidades. Deckard deixa de ser caçador e passa a lutar por sua vida enquanto foge deste vilão fantástico construído por Rutger Hauer.


Deixo aqui de lado os julgamentos de valor e os moralismos. Blade Runner é um filme que fala de vida e de morte, de origens e de fins. Caçar e matar seu criador não é uma novidade na história da humanidade, e a maioria das pessoas inteligentes que eu conheço faria a mesma coisa por um pouco mais de tempo.

Blade Runner é um épico da FC e um marco na carreira de Riddley Scott. Veremos essa obsessão pela origem e por mais vida acontecendo em seus outros filmes - principalmente em Prometheus, e acredito ser esta uma de suas marcas diferenciais.

Não ouso classificar Blade Runner. Para mim, tecnicamente falando, não há luas suficientes na Via Láctea para dizer o quanto este filme é maravilhoso e profundo. Para encerrar, deixo vocês com Roy Batty/Hutger Hauer e seu clássico monólogo de despedida.


No mais, não assistiu ainda? Não conhece? Procure e assista essa revolucionária experiência de cinema.

Abraços a todos.

P.S.: Deixo para os exegetas a missão de lidar com as polêmicas. Versão de Cinema, Versão do Diretor, Versão Final, Narração em Off, Final diferente... isso são coisas menores que não chegam a impactar tanto na experiência de assistir ao filme. A única mudança digna de mexer com os paradigmas do filme é o fato de Deckard ser um replicante ou não - e quanto a isso o Diretor do filme não deixou dúvida alguma.

segunda-feira, abril 06, 2015

domingo, abril 05, 2015

Kingsman - Serviço Secreto (2015), de Matthew Vaughn


Assim como não se julga um livro pela capa, não se deve julgar um filme pelo trailer.

"Kingsman - O Serviço Secreto" é sensacional. Disparado um dos melhores de 2015.

A história? Uma organização de espionagem ultra-secreta está admitindo um novo membro, e para isso um rigoroso e mortal teste de seleção é iniciado. Jovens promessas britânicas são avaliadas pelos Kingsman para assumir a vaga de Lancelot. Sim, seus codinomes referem-se aos Cavaleiros da Távola Redonda.

Esses Cavaleiros têm habilidades fantásticas - domínio corporal e de armas variadas, conhecem artes marciais e são donos de uma agilidade absurda. 

"Nada diferente de Jason Bourne e James Bond", diria você. Eu até concordaria, se não fosse um detalhe: Kingsman satiriza o estilo de filmes de espionagem o tempo inteiro - mas não se engane: é um filme que se leva a sério. Suas credenciais são:

1. Baseada na HQ homônima de de Mark Millar;
2. Dirigida por Matthew Vaughn.

Mark Millar é um daqueles caras que tem o toque de Midas (Kick Ass, O Procurado, e agora O Serviço Secreto); e Matthew Vaughn tem se tornado um dos diretores de cinema mais promissores (Nem Tudo É O Que Parece, Kick Ass, X-Men - Primeira Classe e, agora, Kingsman).

Tecnicamente: efeitos muito bem desenvolvidos. História dinâmica e fluída. Personagens carismáticos e bem desenvolvidos. Boas reviravoltas. Fotografia OK. Trilha Sonora f*da (Henry Jackman e Matthew Margeson). Sem falar nas músicas que o Vaughn colocou nas cenas-chave.

E que cenas. A da Igreja, com o Colin Firth... virou clássica (Free Bird!).

Sobre os atores: Michael Caine não sai de seu centro de conforto. Colin Firth dá um show, tanto atuando como nas cenas de ação (diz-se que ele filmou 80% das cenas, sem dublês!). Taron Edgerton é um cara extremamente expressivo e muito talentoso, com quem nos identificamos rapidamente (e tem medo de cachorros!). Samuel L. Jackson sai de seus personagens clássicos e nos entrega um vilão... ~diferente~. A menina das pernas de metal, Sofia Boutella, tem uma beleza exótica e é um show à parte. Mark Strong está, como sempre, fenomenal.

Um filme surpreendente, que mistura cenas de ação, humor e drama, e não se apoia em soluções preguiçosas. Tem umas sacadas estilosas fantásticas também (a cena das explosões... putz! Psicodélica!).

Quando digo que este é um dos melhores de 2015, não estou brincando. 

Abraços e boa noite a todos.

P.S.: Cuidado com a classificação indicativa. Tem umas cenas beeeem pesadas, de violência mesmo. E alguns nudes. Não diga que não avisei. :P

P.S.2: Disponibilizo a trilha para ser ouvida aqui.
Kingsman - OST by Michel Euclides Sousa on Grooveshark

quarta-feira, março 18, 2015

A inspiração para Disney, Robin Hood não foi realmente Robin Hood.



Explico:

Andrew E. Larsen é um historiador especializado em Inglaterra medieval e administra um blog sobre cultura pop e história chamado "Um Historiador vai ao Cinema". Em "Robin Hood da Disney: Um pouco mais medieval do que se poderia pensar", Larsen explora a verdadeira inspiração da animação da Disney, o que não era Robin Hood, mas um conto medieval diferente.

Algumas semanas atrás, eu decidi que queria abordar aqui um filme de animação que sempre foi o meu predileto entre todas as produções da Disney e que eu amava quando criança (ok, ainda amo). Eu tenho memórias vívidas de vê-lo no cinema, nas matinês do Cine São Luiz. Eu decidi assisti-lo agora no conforto da minha casa mais uma vez, por que eu não o tinha visto desde então e eu não tinha grandes esperanças de que renderia muito para escrever aqui, mas como se vê, temos algo digno de nota aqui.


Robin Hood é um personagem medieval, datado pelo menos do século 14 ou, possivelmente mais cedo. Há muito a dizer sobre toda a questão de saber se ele é uma figura histórica ou não, mas não é sobre isso que vou falar aqui, já que eu tenho certeza que qualquer um que assistir esse filme sabe que nem Robin Hood e Lady Marian eram raposas. É muito claro que o filme não é historicamente preciso.

O que é provavelmente menos claro é que a inspiração para essa versão de Robin Hood não é, na verdade, Robin Hood em tudo. Desde a década de 1930, Walt Disney estava interessado em contar uma versão da Alsácia, do século 12, sobre Reinard (ou Renart) a raposa. No Roman de Renart, Reinard, a raposa é convocada para o tribunal de um leão cruel, Rei Leo, para responder às acusações feitas contra ele por Isengrim, o lobo. Leo manda vários agentes, incluindo um urso, um burro e um gato para conduzi-lo ao tribunal, mas Reinard derrota todos três. (Aliás, o gato é chamado de Tibert, ou Tybalt, por esse motivo, em Romeu e Julieta de Shakespeare, Mercurio Tybalt é chamado de caçador de ratos e rei dos gatos). Ele ainda derrota Isengrim, e torna-se o novo conselheiro do Rei Leo. Este foi apenas o inicio de um corpo bastante complexo de histórias sobre Reinard, muitas das quais eram sátiras dirigidas a sociedade aristocrática.


O problema com todo esse material é que ele é extremamente violento (o urso é atacado por abelhas, Tybalt perde um olho, e Reynard decapita um coelho e substitui sua cabeça por um tesouro secreto). Reynard é um trapaceiro, e profundamente anti-autoritário em tudo. Walt Disney concluiu que o material não era algo apropriado para crianças. Mas Ken Anderson, um dos principais membros da equipe de criação da Disney, sustentou a ideia de se fazer mesmo assim algo em torno dele. Em 1968, quando o estúdio estava à procura de algo que se seguisse aos Os aristogatos, Anderson sugeriu fazer uma história de Robin Hood. Mas Robin Hood é uma história problemática para crianças, uma vez que como Reynard, ele também se mostra como um anti-autoritário. No entanto através da fusão das duas figuras e fazendo disso um personagem animado de raposa lutando contra um leão covarde, que não é o governante legitimo, Anderson foi capaz de matar dois pássaros com uma unica pedra, por domar a violência e reduzir o anti-autoritarismo de ambas as histórias. Além disso, tornando a história animada em vez de um live-action ajudou a criar a distância entre os personagens e o publico jovem, reduzindo a probabilidade de que eles se identificassem com o anti-autoritarismo da história.

A escolha de modelar Robin Hood frouxamente a partir da história de Reynard era uma inspiração. Enquanto Reynard não é uma figura familiar para o publico de língua inglesa, raposas ainda são consideradas astutas e inteligentes, qualidades que se encaixam bem para Robin Hood. Fazer o Principe John, depois Rei Leão, mas fazendo-o covarde é uma contradição brilhante (assim como ecoa o Leão Covarde de O Magico de Oz). Isegrim, o lobo se torna o vilão Sheriff de Nottingham e Allan-a-Dale um galo bom caráter, vira Chaunticleer, o Galo, que é talvez o mais famosos (não para os de fala inglesa também) de todos os personagens do circulo de Reynard, porque um certo contista de nome Chaucer escreveu uma versaão de seu conflito com Reynard chamado de The Second Nun presente em Os Contos de Canterbury. A adição de dois ratos pobres morando numa igreja como personagens coadjuvantes também é uma brincadeira inteligente.

Infelizmente, Anderson ficara extremamente decepcionado com o filme, porque o estúdio fez mudanças substanciais para adequá-lo a um estilo facilmente reconhecível como sendo da Disney. Reza a lenda que Anderson chorou quando viu o quanto foi alterado de sua ideia. Ha uma bela pagina que mostra os desenhos originais aqui e compara-os com o desenho dos personagens como finalmente apareceram. Frei Tuck e uma perda sensível em particular.


A primeira parte do filme detalha como Robin usa de seus truques para se apoderar do tesouro do Príncipe John, que é claramente inspirado nas aventuras de Reynard contra Leo no Roman de Reynard. A trama central, no entanto, que envolve o torneio da Flecha Dourda, é extraido de uma história clássica de Robin Hood, mas que provavelmente não é medieval. Sua fonte é Child Ballad 152. Em meados do seculo 19, um estudioso americano, chamado Francis Child compilou de um corpo maciço da tradição inglesa, escocesa  de do folclore norte-americano, uma coleção de contos que foi publicado pela primeira vez em 1857, e que parece conter a versão mais antiga do que a história de Robin. Child não era portanto, o autor das baladas, apenas o homem que os recolheu, assim Robin Hood e a Flecha Dourada é certamente anterior a segunda metade do seculo 19, e você sabe, quanto mais velho, mais desconhecido.

Nem tudo no filme funciona de forma brilhante, no entanto. Lady Marion não tem praticamente nenhum papel no filme em tudo, além de ser cortejada por Robin. Uma boa parte da animação foi re-utilizada de o Book The Jungle (Mogli), e os ratos da igreja são do Os aristogatos,

Depois de revê-lo a boa e velha sensação de saudades da minha infância ainda era uma constante. Recomendo a você, leitor, que faça uma vigem dessa sempre que puder. Pode ser gratificante ver as boas e velhas coisas do nosso passado.


domingo, março 15, 2015

7 Cajas (2014) - 7 Caixas


Tudo tem um preço para Juan carlos Maneglia e Tana Schémbory, diretores de "7 Cajas". Você quer alguma coisa? É melhor ter algo para dar em troca, seja informação, dinheiro (difícil de encontrar), ou um desses telefones celulares bacana com uma câmera de vídeo. 7 caixas ocorre em um período de 48 horas dentro de um labirinto bizantino alastrado de um mercado paraguaio. Todo mundo conhece todo mundo. É 2005. Os celulares ainda são uma novidade, temos só os do tipo que se encarregam de tirar fotos de fazer videos como o máximo dos gadgets modernos. Você pode fazer qualquer coisa  se você tivesse um. Eles são moeda corrente. Moeda é o que significa em diferentes situações e é o tema subjacente em 7 caixas, o seu motor urgente, A brutalidade do capitalismo não é criticada por qualquer um dos personagens, porque eles estão muito preocupados com a sobrevivência para perde-se em conceitos, mas as implicações são claras. Você pode obter qualquer coisa nesse mundo, os remédios para seu filho doente, uma namorada, um telefone celular, mas não sem moeda.

Victor (Celso Franco) é um garoto que trabalha como entregador no mercado. Ele tem um carrinho de mão frágil de madeira e ele assedia os clientes para deixá-lo transportar suas mercadorias. Victor é jovem e astuto e ele é também facilmente atraído e fascinado por qualquer coisa que tenha uma tela: câmeras de segurança, televisores em lojas de usados e o celular com câmera do seu amigo. Ele quer, não, ele deseja com todas sua vísceras ter um. Ele não tem dinheiro. Então, quando de repente lhe é oferecido o transporte estranhos de 7 caixas de conteúdo desconhecido, por um açougueiro para bem longe do mercado (cercado de policiais), ele percebe a sua chance. Sem o conhecimento de Victor, um outro cara chamado Nelson (Victor Sosa), um homem desesperado com um filho doente, deveria começar esse trabalho de entrega, só que ele atrasou-se para o trabalho. Nelson sai em busca de Victor com a intensão de roubar as caixas e receber o dinheiro que ele considera seu por direito.


Não há nada como como uma forte configuração, e a configuração em 7 Caixas é poderoso, simples e dramático. O que há nas caixas? Porque seu conteúdo é tão importante? Há policiais circulando por todo o mercado, mas eles são tão corruptos quanto o resto. Todo mundo pode ser subornado. Celulares são passados de bolso em bolso como uma moeda de corrupção, e em uma cena engraçada, um telefone celular foi roubado, então Victor pensa que está chamando o açougueiro, mas na verdade conversa com Nelson. "Posso falar com o Sr. Dario? "Este é meu telefone agora, eu sou o ladrão que roubou seu celular. Ok. Tchau".

Victor tem uma irmã (Nelly Davalos), que trabalha na cozinha de um restaurante coreano, e uma amiga chamada Liz (Lali Gonzalez), que vai junto com ele, mas ele é diferente delas e de todo mundo que gira em todo do mercado e seu carrinho de mão, bem como sua atração por qualquer tela de televisão em sua vizinhança. Não importa quão tenso seja o momento, Victor para no meio do caminho para olhar para as imagens captadas pela câmaras,sejam comerciais, filmes americanos. O que ele vê, fuga? riqueza? fama? Seja o que for, ela representa o fascínio irresistível de uma vida onde a moeda está mais disponível para se ganhar, onde há mais para se viver, especialmente melhor. Victor não tem nenhum ressentimento sobre sua pobreza. Ele está muito ocupado tentando sobreviver sendo perseguido por Nelson e pelos policiais. Mas ele sempre é puxado para cima e para fora de si mesmo, através da tecnologia que prolifera em redor deles em telas sem fim.


Como torna-se claro para ele que as setes caixas, são más noticias, e ele está em sérios apuros, ele esconde as caixas. Isso não funciona bem. Liz rouba as caixas do esconderijo para ajuda-lo, e ele rouba de volta. Enquanto isso, Nelson reuniu um grupo de pessoas igualmente desesperadas por um possível ganho financeiro para ajudar na perseguição por Victor e as caixas. A perseguição leva-os através do mercado, pelos seus clubes de dança, seus becos e espaços de armazenamentos. Algumas destas cenas, são lotadas e ocupadas por uma multidão frenética e usa atores que não parecem como intervenientes, todos correndo em ambientes urbanos reais.

Victor esta em uma corrida por sua vida e ele não tem para onde ir. Ele nunca deixa o mundo do mercado. Mas a medida que os círculos concorrentes fecham-se sobre ele cada vez mais as caixas se parecem um mau pressagio.

7 Caixas é tanto um filme tenso e assustador de crime, como uma evocação, as vezes, a um sonho de vida na subclasse, alastrando seus aspectos alucinatórios, seus caos, violência e fantasias.




Relatos Selvagens

Relatos Salvajes - 2014
Dir:  Damián Szifrón.
Elenco: Darío Grandinetti, María Marull, Mónica Villa.