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domingo, maio 17, 2015

Músicas para curtir uma paixão - Nacionais (playlist) (Repost/Resgate)


Olá, meus queridos e queridas!

Aqui quem fala é aquele velho amigo meio arrogante, Michel Euclides, AKA O Ladrão de Almas. Passando por aqui pra deixar com vocês uma daquelas contribuições que podem - ou não - servir para o vosso deleite musical.

Estava por aqui com uma vontade louca de escrever (uma história encravada aqui no fundo da mente, rivalizando fortemente com a dor no ombro), quando comecei a escutar música e pensei: por que não fazer uma playlist com músicas nacionais que falem de amor, amar e ser amado, bregas ou não?

É uma boa ideia, respondeu o Euclides, AKA O Outro, Doppelgänger ou Irmão do Sonho. Façamos uma lista e reflitamos sobre ela.

terça-feira, maio 05, 2015

Sunny Side Up (2009), de Paolo Nutini

Sunny Side Up (2009) é o segundo disco de Paolo Nutini, este rapaz escocês que conheceu o sucesso muito cedo quando do lançamento do álbum These Streets (2006). Sua voz rouca e cansada tem uma sonoridade rica e cheia, contradizendo sua juventude. Sua música é rica em influências várias, e isso fica muito claro aqui neste álbum do qual vos falo.



Sunny Side Up não é um disco fácil. Nutini passeia pelos mais diferentes estilos, flertando com o reggae e com a música sulista dos EUA, passeando pela música folclórica britânica e pelo britpop com um domínio que, na voz e talento de outro, não ficaria bem. Eu mesmo vim gostar do disco após algumas tentativas. O que inicialmente parece uma abordagem esquizofrênica e estilhaçada acaba demonstrando a criatividade e o desejo experimentalista deste que é, em minha opinião, um dos cantores pop mais bem sucedidos da atualidade.

Sugiro escutar com um bom uísque.

Segue a playlist. Escutar com atenção e paciência, não se deixar assustar pelo ritmo "alegrinho" de algumas faixas.


Minhas preferidas são: Coming Up EasyGrowing Up Beside YouCandyTricks Of The Trade e No Other Way. Gosto das outras, mas não são aquelas que - puuutz, eu morro por elas.

Classificação do álbum: Sexta-Feira. Pelas baladinhas. E pelo talento do cara, que é fera demais.

Abraços e até mais.

domingo, abril 26, 2015

Prometheus (2012) - de Ridley Scott (Repost)


Muito já se falou sobre reboots e prequels. Muitas críticas foram feitas à indústria cinematográfica sobre "eles" quererem apenas ganhar dinheiro e não terem mais originalidade.

Ponto 1: Quem não quer ganhar dinheiro? Por favor, não sejamos hipócritas.

Ponto 2: O que é originalidade? Contar uma história que ninguém nunca ouviu ou viu igual, parecida ou semelhante, usando recursos inéditos? Onde existe isso? Tudo se baseia em algo anterior. Originalidade é uma pretensão que já nasce falha.

O fato é que Prometheus (2012) é um bom filme, que entrega o que vende. É um filme de ficção científica e suspense. É um ponto de partida para a história que deu origem à série de filmes "Alien". É o uso absurdamente capaz da tecnologia para recriar mundos. É um filme que discute (superficialmente, certo) a relação entre ciência e religião.

Ou não? O que você esperava?

O filme tem furos de roteiro? Qual não tem? É preciso ter uma enorme suspensão de descrença para aceitar o que ali está sendo contado?

Ah, pelo amor de Zeus, vá assistir documentários então! Isso é Cinema, meu querido, isso é entretenimento! Uma das coisas que me dá mais pena é assistir a um filme perto de alguém que fica dizendo: "Mas que mentira! Isso nunca iria acontecer". F*da-se você e sua mentalidadezinha de novela da Globo. Eu sou fã de cinema e de FC, e deixo essas limitações mesquinhas para mentes pequenas.

Desabafo feito, retornamos.

O filme é um primor aos olhos e ouvidos. Os efeitos (sonoros e visuais) são de cair o queixo. A trilha sonora é magistral, e nos acompanha do início ao fim, sempre harmonizada com o ritmo de cada segmento de cenas. Os atores principais são excelentes, mas o elenco de apoio deixa um pouco a desejar. Destaco aqui o trabalho de Michael Fassbender como o sintético David, arrasando tudo com sua performance assustadora. Parece uma criança de sete anos de idade com uma curiosidade sem limites e nenhuma amarra moral.

Noomi Rapace está também excelente como a Doutora Elizabeth Shaw, pesquisadora que conduz o grupo na sua busca pelos Engenheiros, nossos criadores. A (sempre excelente) Charlize Theron não decepciona como Meredith Vickers, capitã da nave, e Idris Elba está excelente como Janek, o piloto da Prometheus.

Não há espaço para humor aqui. O filme pega ritmo a partir do momento em que eles desembarcam na lua LV-223, que circunda um gigante azul e gasoso na zona de vida de um sistema solar que tem um sol parecido com o nosso. Chegando lá guiados por pinturas rupestres e representações pictográficas de vários povos da Terra com milhares de anos, buscam encontrar respostas junto àqueles que - supõe-se - são nossos verdadeiros criadores.

Mas as coisas não saem como planejado e logo nos deparamos com criaturas nunca antes vistas, letais e belos seres vivos completamente - desculpem o uso da palavra - alienígenas.

Rapidamente se instaura o caos, e as pessoas começam a morrer como num bom filme de suspense.

Não falo mais por não gostar de espalhar spoilers para quem não assistiu, mas aconselho que o filme seja visto. De preferência em HD, para que se possa aproveitar todo o potencial visual que Ridley Scott nos propicia.

Alerto aqui os leitores para as influências e homenagens feitas aos senhores H. P. Lovecraft (deus da literatura gótico-fantástica de terror e ficção) e ao Erich Von Däniken, escritor pilantra que associou o desenvolvimento e evolução da raça humana a deuses alienígenas em sua obra mais famosa, "Eram os Deuses Astronautas".


O que move os cientistas de Prometheus e Peter Weyland (Guy Pearce, impecável sob uma maquiagem perfeita e quase irreconhecível) é a busca pela divindade, que pode te trazer respostas para as questões primordiais ou te conceder mais tempo de vida.

Classificação:



E você, o que seria capaz de fazer, até onde iria, para encontrar seu criador?

Deixo-vos com este questionamento e me despeço após a dupla postagem de hoje. Putz, isso cansa, mas é recompensador.

Abraços do Ladrão de Almas, M.Euclides.

sábado, abril 25, 2015

7 Invenções de Tesla que outros levaram os créditos

SOBRE OS OMBROS DE UM GIGANTE



Nikola Tesla morreu sozinho. Na idade de de 86 anos, ele morreu sem filhos, sem esposa; ele morreu sem ninguém a seu lado. Depois de dedicar a totalidade de sua existência para o proposito único de espirito de promover o campo da ciência, uma das mentes mais brilhante da humanidade morreu em um quarto de hotel, o corpo encontrado dois dias depois por uma empregada. Empobrecido e endividado. Tesla passou seus último dias vivendo de leite morno e biscoito nabisco. Difícil de pensar nisso!

Embora seu gênio fora reconhecido durante sua vida, após a morte, seu nome caiu no esquecimento. Ele foi explorado por aqueles que cobiçaram seus engenhos,  muitas de suas grandes ideias nunca chegaram a ser concretizadas devido a ganancia e a ignorância humana, e por décadas, outros receberam créditos para as invenções que teria ele sido o pioneiro.

Aqui estão 7 invenções revolucionárias que não foram dadas o devido crédito a Tesla.

domingo, abril 19, 2015

Blade Runner - Ridley Scott (Repost)

Repost

Li esses dias - http://www.philipkdick.com/new_letters-laddcompany.html - uma carta do Philip K. Dick onde ele expressava imensa gratidão pela visão e pelo mundo criado em cima de sua obra Blade Runner. Para quem não sabe, Dick é um dos maiores escritores de Ficção Científica que já existiu. Sua visão do futuro é completamente diferente de tudo o que havia sido escrito até então, com personagens extremamente humanos e imprevisíveis, e diálogos e situações extremamente bem construídos e originais.

Pois bem, senhoras e senhores, neste momento eu e o Felipe trocamos os papeis. Ele ficará com música e eu me aventurarei aqui no cinema. Eu não tenho o mesmo olhar cinematográfico que meu irmão, nem o viés técnico aliado ao talento que acredito ver nele - mas sou um fã apaixonado que tem a capacidade de dizer uma coisa ou duas a respeito de um filme.

E Blade Runner (1982) é, para mim, um marcador de águas. Posso dizer que este filme, lançado no ano em que nasci, foi minha maioridade cinematográfica. Após ele, nunca mais pude ver o cinema enquanto arte da mesma maneira.

Chuva, muita chuva. Aqui não se consegue ver o céu, apenas um dirigível convidando você a morar nas colônias fora da Terra. Deckard aguarda seu macarrão enquanto lê um jornal apoiado na parede que fica em frente ao trailer de comida chinesa/japonesa (?).

Quando senta para tentar comer, dois oficiais de polícia chegam e o conduzem de flutuador até o Capitão Bryant, chefe de Polícia, que lhe deixa a par de uma situação preocupante: alguns replicantes fugiram de seus trabalhos forçados em algum lugar do universo em direção à Terra. Mas esses não são replicantes comuns: São Nexus-6. Parecem humanos, mas são mais fortes e mais ágeis, e tão inteligentes quanto aqueles que os desenharam/criaram.

Deckard é um ex-Blade Runner, um "aposentador" de replicantes, conhecido como um dos melhores. E Bryant o quer nessa missão.


O que são os replicantes? O termo androide não se aplica bem aqui, ou pelo menos não preenche o significado necessário à compreensão. Eles não são mecânicos, ou parte mecânicos - são orgânicos e estão vivos. São criados geneticamente para exercer funções em situações extremas que um ser humano normal jamais conseguiria realizar. Mas devido a problemas de programação e replicação, os Nexus-6 têm vida curta: são programados para morrer quatro anos após sua ativação.


O que você faria se soubesse que sua morte tem dia marcado, e se soubesse quando ela aconteceria? Se você soubesse que era possível procurar seu Criador, o que você faria?

O que pediria?

Estes replicantes têm em mente um pedido simples. Querem mais vida.

Enquanto tenta realizar sua missão, Deckard encontra com Eldon Tyrrell, o criador dos replicantes, e sua sobrinha Rachael. Após um diálogo intenso com os dois, Deckard , através do teste Voight-Kampff, descobre junto com Rachael que esta é uma replicante.

E Deckard segue matando os replicantes. As cenas são cruas e dinâmicas, sangrentas e extremamente violentas. Aqui vemos Deckard como um herói que sofre, sangra e se machuca, tanto física quanto psicologicamente.

E aqui vai uma nota sobre seu envolvimento com Rachael. Sean Young sempre foi uma atriz muito linda, mas aqui ela está magnífica. Seus grandes olhos castanhos, seu rosto de pele macia e traços suaves... nasce aqui um relacionamento amoroso brutal e necessário. A cena de amor entre Deckard e Rachael, tendo ao fundo a brilhante e magistral música de Vangelis, é a cena romântica mais bonita do Cinema.


A jornada prossegue. Logo restam apenas Deckard e Roy Batty, o líder dos replicantes. O embate entre os dois é assustador, com Roy mostrando o tempo todo sua superioridade e inteligência, sua força e capacidades. Deckard deixa de ser caçador e passa a lutar por sua vida enquanto foge deste vilão fantástico construído por Rutger Hauer.


Deixo aqui de lado os julgamentos de valor e os moralismos. Blade Runner é um filme que fala de vida e de morte, de origens e de fins. Caçar e matar seu criador não é uma novidade na história da humanidade, e a maioria das pessoas inteligentes que eu conheço faria a mesma coisa por um pouco mais de tempo.

Blade Runner é um épico da FC e um marco na carreira de Riddley Scott. Veremos essa obsessão pela origem e por mais vida acontecendo em seus outros filmes - principalmente em Prometheus, e acredito ser esta uma de suas marcas diferenciais.

Não ouso classificar Blade Runner. Para mim, tecnicamente falando, não há luas suficientes na Via Láctea para dizer o quanto este filme é maravilhoso e profundo. Para encerrar, deixo vocês com Roy Batty/Hutger Hauer e seu clássico monólogo de despedida.


No mais, não assistiu ainda? Não conhece? Procure e assista essa revolucionária experiência de cinema.

Abraços a todos.

P.S.: Deixo para os exegetas a missão de lidar com as polêmicas. Versão de Cinema, Versão do Diretor, Versão Final, Narração em Off, Final diferente... isso são coisas menores que não chegam a impactar tanto na experiência de assistir ao filme. A única mudança digna de mexer com os paradigmas do filme é o fato de Deckard ser um replicante ou não - e quanto a isso o Diretor do filme não deixou dúvida alguma.

terça-feira, abril 07, 2015

Bad Company - Bad Company (1974) - Isso sim é Rock, bitch.


"Fazer Rock não é contar piada
Quem faz Rock assim não é de nada
O Bom Rock fala ao coração..."

Eu sei, é muita cara de pau minha parodiar Vinícius, mas quando se fala de Bad Co. é preciso entender e sentir que o bom e velho Rock 'N' Roll se faz com o coração.

E isto, senhoras e senhores, é Bad Company. Rock old school feito de bons solos e riffs, um vocalista inspirado e entregue, baixista e baterista imbuídos da magia negra do Rock que vem das profundezas da alma.

Não sei porquê tenho essa impressão, este sentimento de que Paul Rodgers canta com a alma, e levava assim a banda com ele a vibrar em padrões harmônicos completamente anormais no que diz respeito ao fazer do Rock.

Bad Company não respeitou o calendário. Não era uma pop-rock band, nem uma progressive rock band. As influências do blues, do soul, de músicas mais baladas e cadenciadas estão presentes no desejo que o grupo demonstra em fazer boa música.

E este disco de 1974 é um primor. Arranjos maravilhosos, harmonia, objetivo, foco e sentimento: puro Rock.

Atenção às faixas: "Can't get enough", "Rock Steady", "Ready for love", "Don't let me down", "Bad Company" e "Seagull". Atenção à guitarra segura e concisa de Mick Ralphs, e à voz suave e poderosa de Rodgers. Atenção ao respeito e à presença do baixo de Boz Burrell, e à bateria consciente e marcante de Simon Kirke.

Meu conselho? Não escute este disco. Você corre sério risco de se tornar fã de uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos. Mas se mesmo assim você resolver ouvir, entregue-se de coração ao Bad Co. e suas músicas, sinta a verdade dos apelos da guitarra e diga:

- Isso sim é Rock, bitch.


Boa noite e muito Rocn 'N' Roll na tua vida. Pois somente a poesia e os solos de guitarra podem alcançar em nós aquilo que temos de melhor.

Abraços!

terça-feira, março 31, 2015

The Queen is Dead (1986), The Smiths: Vida Longa aos Smiths (Repost - Seção 01Dia).


O que há de bom em The Smiths?

1. Eles são britânicos.
2. O Morrissey.
3. Johhny Marr.
4. A banda é foda.

Dito isto, segue a análise de hoje: The Queen is Dead (1986), The Smiths.

Em 1986 em tinha quatro anos de idade. Posso sentir as engrenagens de sua cabeça funcionando agora, calculando. Tenho trinta e três anos, e me sinto cansado e velho. Sofro de uma síndrome chamada "vetus anima in novi corporis". Os sintomas são parecidos para todo mundo que sofre deste mal: gostar de coisas boas e velhas a despeito da idade.

The Smiths é bom - isso é um fato. Existe essa revolta contra o indie, e eu acho a maior bobagem. Ser indie hoje em dia significa ser original, fugir do mainstream, ser diferente e bacana - e os Smiths já eram assim antes de termos e rótulos.

The Queen Is Dead tem uma sonoridade pura e rebelde típica da época. As desilusões amorosas, a luta contra os estereótipos, a juventude perdida em sonhos e ilusões... tão típico da geração que hoje atravessa a meia idade... "Ei, nós deveríamos ter salvado o mundo", gritam eles para nós, os niilistas supremos herdeiros de um nada inconsequente.

Um disco ácido, seco, mas que nem por isso deixa de ser romântico e sensível. E verdadeiro.

Um disco como não se sabe fazer mais. Bem, talvez o Los Hermanos tenha abraçado algo da essência do que os Smiths tentaram nos passar, talvez seja apenas eu ficando louco, mas quem somos nós para salvar o mundo quando há tantos corações partidos?


Atenção às faixas: "I Know It's Over", "Never Had No One Ever", "Bigmouth Strikes Again", "The Boy With The Thorn In His Side" e "There's A Light That Never Goes Out". São músicas essenciais à formação do caráter de um ser humano. São músicas que eu gostaria de ver meus filhos tocando, cantando e murmurando por aí, mesmo que ninguém conheça, mesmo que ninguém se lembre.


O filme "500 dias com ela" coloca os Smiths em evidência. Se não viu ainda, veja. Temos Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel como o casal arquetípico das músicas dessa época/era, principalmente sob a influência de Morrissey e companhia.


E não deixai The Smiths serem esquecidos. Amém.

Classificação:




Boa Noite a todos.
O Ladrão de Almas, M. Euclides.

sábado, março 21, 2015

Religulous, a religião nossa de cada dia - O Documentário Re-Postagem - Seção 01Dia

Dia 201, Assis Oliveira - Cinedocumentario

Filme/Documentário: Religulous (2008) IMDb 7,7
Direção: Larry Charles
Apresentações: Bill Maher e outros (entrevistados)
Duração: 102 min


Religulous é um documentário cômico escrito e estrelado pelo humorista americano Bil Maher e dirigido de Larry Charles (Borat). O titulo é uma brincadeira com duas palavras inglesas, religion e ridiculous.

Bill Maher, comediante de stand-up e apresentador de Talk Shows da TV Americana, é uma cara muito engraçado. E inteligente também. Ele me chamou a atenção desde que o vi a primeira vez na TV fechada, apresentando seu programa de entrevista diário no mesmo formato do nosso Jô Soares. De cara se percebe o ceticismo do cara no seu programa e ele faz disso sua marca registrada. Não tem pergunta que ele não se sinta desconfortável em fazer a seus entrevistados.

sexta-feira, março 20, 2015

Bárbara Eugênia - É o que Temos (2014) - Seção 01Dia

Repost! Seção 01Dia

Ela está de volta, e veio para ganhar. Arrebata os fãs, carrega admiradores na dobra do vestido, encanta o pessoal da velha guarda...

Bárbara Eugênia e sua voz de veludo... tão linda, tão simples, tão francesa em sua nova encarnação que apenas maximiza seu talento e suas escolhas. "É O Que Temos" é um disco para pessoas que curtem música de qualidade, independente de rótulos. Brega, hipster, fossinha... nãonãonão. A música de Bárbara é única, algo que antes só havia sido sentido nos três primeiros discos do Los Hermanos - a estranheza do amor, o nonsense da solidão, a indecência da impotência.

Claramente evoluída de uma obra para outra, porém seguindo a mesma linha, Bárbara demonstra um domínio maior de sua voz e uma ousadia incrível na escolha de seu repertório. Não são músicas fáceis. Não é perfil de rádio popular: são voltadas para pessoas tão corajosas quanto ela, que sofrem por amor e com os reveses.

E uma das melhores do disco chama-se "Por que brigamos".


Sim, eu estou curtindo música "brega". Confesso que Bárbara me trouxe de volta um olhar carinhoso sobre o romantismo exacerbado da música brasileira "de roer". E só por isso ela merece um cheiro. Além do fato de ser linda e talentosa, claro.

Este disco têm participações de pessoas do calibre de Tatá Aeroplano, Guizado e Pélico, com a produção de ninguém menos que Edgar Scandurra. Pessoas de tanto peso juntas em prol da realização de um som maravilhoso, que busca referências em tantas fontes e que sai coeso e poderoso... todos em prol de Bárbara, porque ela merece demais.


Sim, eu sou um fã bobo. Adoro a sonoridade dela, a voz rouca, o jeito que canta, o sotaque meio lugar nenhum... Bárbara é encantadora em sua simplicidade, sua meninice, sua meiguice. É impossível não escutá-la/vê-la e não se apaixonar.


Recomendo 200% a audição deste disco maravilhoso, junto com o primeiro disco dela, o "Journal De BAD". (http://www.01pordia.com/2013/03/journal-de-bad-barbara-eugenia-ou-nao.html).


Você não vai se arrepender. Bárbara é um caleidoscópio auditivo que merece ser descoberto por todos nós.

Boa noite, que eu vou sonhar com ela cantando pra mim. (Não precisa ficar com ciúmes, Dani: é só um artifício músico-literário pra deixar o final mais impactante. :)  ).

domingo, março 15, 2015

Tim Maia - Racional (1975) - Seção 01Dia


Tim Maia é um dos maiores nomes da música nacional. Fato.

O disco que posto hoje é considerado por muitos como o melhor de todos: Tim Maia Racional.

Tim envolveu-se com a Cultura Racional e, em 1975, lançou o álbum, repleto de referências à este movimento "filosófico-religioso". 

Mas o que nos interessa aqui não é a Cultura Racional - pelo menos não a mim. O que me leva a postar uma análise sobre esta obra é a qualidade do trabalho. 

A voz e o estilo de cantar de Tim aqui alcançam o ponto máximo. As músicas tem suingue, tem balanço, tem "mojo". O Síndico mostra aqui tudo o que tinha, pegando influências do soul e do funk norte-americanos, mesclando com a pegada de MPB que só ele sabia dar.

Tim Maia Racional tem um jeito de te pegar que não te solta. É um disco sacado, embalado nos sábados à noite. Letras bem construídas, músicas trabalhadas com esmero, é uma joia rara e cara. Vale a pena escutar com os amigos, ou posar de conhecedor da MPB ao falar sobre ele e a fase Racional do Tim.

Sempre funciona!


Um disco que retrata a mentalidade musical de uma época, onde Tim se destacava por seguir a influência de músicos como Marvin Gaye e Barry White, porém sem jamais perder sua originalidade.

Abaixo a playlist.

1."Imunização Racional (Que Beleza)"
2."O Grão Mestre Varonil"
3."Bom Senso"
4."Energia Racional"
5."Leia o Livro Universo em Desencanto"
6."Contato com o Mundo Racional"
7."Universo em Desencanto"  
8."You Don't Know What I Know" 
9."Rational Culture"  

Minhas preferidas são: Imunização Racional (Que Beleza)Bom SensoContato Com O Mundo Racional e Rational Culture

Escutem com prazer, sem medo. Não se arrependerão, principalmente se estiverem acompanhados de uma cerveja beeem gelada.

Este disco é um Feriado com Recesso, viajando com a família e/ou amigos sem previsão de voltar ao trabalho.

:)

O Ladrão de Almas posta e se vai até amanhã.

Bons sonhos.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Operação Cavalo de Troia - J.J. Benítez - Seção 01Dia - Repostagem



UM LIVRO PRA MEXER COM SUA CABEÇA



(Passando por aqui pra inaugurar a Seção "01Dia". Estou devendo a postagem de ontem. A chuva de ontem me deixou sem PC e não vai dar para cumprir o calendário de postagem. Vou improvisando por aqui, mas prometo q postagem de GOTHAM para o proximo sábado - Trago-lhes a re-postagem de resenha sobre um dos livros mais importante que já li e que acho que todos os ateus e não-ateus deveriam ler)

Em 1987 chegava ao Brasil uma das mais intrigantes e polêmica obras de JJ Benitez, o jornalista/escritor espanhol afeito a investigar e escrever sobre mistérios envolvendo alienígenas e narrativas bíblicas. Entre suas obras estão também, Astronautas de Yaveh, O Mistério da Virgem de Guadalupe. O OVNI de Belém, Eu Julio Verne, A Rebelião de Lúcifer, entre outros. Nenhum deles é tão intrigante quanto OPERAÇÃO CAVALO DE TROIA.

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Jeff Buckley - Grace (1994)/ Seção 01 Dia/ Repost



Quem nunca ouviu Jeff Buckley jamais deve dizer que gosta de música, ou que conhece Rock N' Roll.

Jeff Buckley - Grace by Michel Euclides Sousa on Grooveshark
Um dos talentos mais cultuados e inspiradores, guitarrista excelente e dono de uma voz poderosa, que poderia tanto ser suave quanto agressiva, Buckley expressava em suas músicas um sofrimento existencial e uma alegria de viver que geram um paradoxo infinito, e isso tanto pode estraçalhar quanto resgatar um coração que o escuta.

Grace, o álbum de qual vos falo hoje, foi o único álbum de estúdio deste que morreu tão cedo. E a importância deste disco é tremenda para a vida deste apaixonado fã aqui.

A primeira faixa é Mojo Pin, baseada num sonho tido por Jeff. É uma música exótica e sensual, com uma pegada mais... digamos... sanguínea e metálica, carnal e voluptuosa. E de fato, a música e o sonho são sobre uma mulher.

A faixa que dá nome ao disco - Grace - é um rock melódico, com uma musicalidade mais agressiva e sombria, onde a voz de Buckley se mostra extremamente singular.

Last Goodbye, a terceira, é uma balada muito gostosa e triste, que fala de despedidas. Novamente Jeff se aproveita de seus talentos vocais e instrumentais. Sua guitarra aqui aparece de maneira simples e marcante, sem efeito algum. É uma das músicas mais conhecidas.

Lilac Wine é um hino ao amor. Composta por James Shelton nos anos 1950, foi gravada por vários cantores. Mas, para mim, as mais belas versões são da linda Nina Simone e a de Buckley neste disco. É possível perceber todo o sentimento de Jeff nesta faixa, e a perfeita execução da música nos dá uma sensação de plenitude muito rara de se encontrar.

So Real e Eternal Life são os dois momentos mais hard do disco. bateria, baixo e guitarra aqui se apresentam com seriedade e estilo inigualáveis, secundando a poderosa voz de Buckley de maneira extraordinariamente sóbria e ébria. Viagens.

Hallelujah. Música de autoria do sombrio e triste - mas jamais ruim - Leonard Cohen, tem em Buckley o seu intérprete definitivo. Buckley consegue impor à esta faixa um nível quase espiritual de qualidade. pode-se sentir um contato quase imediato com os sentimentos do cantor quando se escuta Hallelujah. Reserve-a para momentos e pessoas especiais e marcantes de sua vida, e você não se decepcionará.

A suprema balada, uma das músicas mais belas que já foram gravadas, Lover, You Should've Come Over se apresenta ao ouvinte como um lamento apaixonado e uma rendição dificilmente vistas em qualquer outro cantor. Se um dia alguém quiser falar de amor, que seja como Vinícius, Pessoa ou Buckley aqui. Escutem-na em manhãs chuvosas, ou naqueles dias em que se lembram de um grande amor do passado. Isso não é saudável, mas é como aquele dente dolorido que você insiste em cutucar com a língua. Repito: isso não é saudável. Mas se fosse, não teria valido a pena amar e deixar e lembrar.

Corpus Christi Carol é a belíssima e suave interpretação de Buckley de um hino inglês medieval. Poderosa em sua essência, essa faixa é curta e simples, novamente evidenciando a versatilidade vocal do artista em questão.

Finalizando o álbum temos Dream Brother, onde Buckley mistura influências orientais e oníricas numa faixa Rock com especiarias. É uma de minhas preferidas, com letra e melodia de difícil acesso àqueles não-iniciados nos mistérios do Rock, da Vida e da Morte. Aconselho escutá-la numa manhã nublada e ventosa de domingo, com um bom vinho.

Grace é perfeito. Um disco coeso e poderoso de um artista jovem e paradoxal, tão rico quanto um grão de areia ou uma supernova. Jeff Buckley com certeza veio a este planeta para nos ensinar a ver o Rock com olhos breves e transitórios, e nos ensinar que, a qualquer momento, a correnteza do rio pode nos levar e nunca mais nos devolver.


Profundamente tocado pela beleza árida e agridoce desta bela peça de arte, despeço-me de vocês, amantes da boa cultura.

Abraços,
O Ladrão de Almas, Michel Euclides

Em mais um post para o 01PD. 

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Skyfall (2002) - Trilha Sonora por Thomas Newman e Adele (01Dia)


Seção 1Dia: revisitando os primeiros posts do 01PD, modernizando-os e possibilitando aos 01PDnautas a leitura de posts que demandariam um trabalho de pesquisa mais lento.

*     *     *

Sim, inicio com uma pergunta: Bond tem sentimentos?

Skyfall - soundtrack by Michel Euclides Sousa on Grooveshark
Fato 01: não gosto dela. Não gosto do jeito que ela canta, e parafraseando minha amiga Mauricélia, "ela não passa sentimentos". Não como a Amy, que até hoje para mim foi injustiçada por não ter tido oportunidade de fazer um Bond Theme.

Porém,

Fato 02: Ao contrário de meu irmão e colaborador nesta ideia insana de blog 365dias, Felipe Pereira, eu gostei DESTA música de Adele. Por quê? Por ser um Bond Theme clássico. Tem suas falhas? Sim, tem - repetir "Skyfall" à exaustão não é exatamente estiloso - mas é uma música poderosa, que passa um sentimento de perda, de vazio, de sangue, de queda.

A trilha sonora de Newman é pontual, cirúrgica, minimalista e exata, mas cheia de sentimentos. Conta a história de cada cena com uma honestidade muito bacana, sem grandes arroubos orquestrais. Em alguns momentos você quase tem a impressão de estar "lendo" os pensamentos de Bond. As cenas de ação estão muito bem representadas por temas dinâmicos, ricos e variados.

Talvez o que faça falta à trilha sonora composta por Newman seja um tema central que guie a narrativa sonora. Pequenas pinceladas do "James Bond Theme" aparecem aqui e ali, mas apenas para dar um gosto de "será que agora vai?" ao espectador. Mesmo a recorrência da música-tema deste filme é pouca, apesar da importância que a música-tema deve (ou deveria) ter no desenrolar da trama.

A despeito destas pequenas falhas, é uma trilha sonora nível Sexta-feira. Agradável de escutar, relembram-se facilmente as cenas ao som dos temas, criam um bom envolvimento, ajudam a trama a se desenrolar e combinam belamente com a fotografia do filme.

Repetindo, Nível Sexta-Feira de qualidade.

Aguardamos vocês, leitores espectrais, nesta empreitada nossa aqui no UPD.

Este foi o famoso Ladrão de Almas, Michel Euclides, a seu dispor.

P.S.: Iniciei o post com uma pergunta: Bond tem sentimentos? Sim, é claro. E como são intensos, tão intensos, ele se fecha a tudo e a todos, formando aquela carapaça dura e fria que acompanha todo bom agente-secereto fodão nível 00.

Abraços e até amanhã.


P.S.: Pontualmente, traremos à luz alguns outros posts mais antigos para vossa apreciação. Abraços a todos!

                                                                                                                                                   M. Euclides