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quarta-feira, setembro 09, 2015

50 Tons... se junta a uma galeria de filmes que fazem do sexo uma diversão (nem sempre)



Tem sido difícil para filmes acertar na dose de sexo. Para cada transa verdadeiramente erótica e realista retratada na tela (veja Azul é a Cor mais Quente, como um exemplo recente), há um sem número de filmes que fazem disso um ato completamente insano (Basic Instinct/Instinto Selvagem), ou algo saído de um videoclipe dos anos 1980 (Veja praticamente todos os filmes daquela década com pessoas muito ocupada em fazer sexo gráfico).

E depois há aqueles filmes que fazem do sexo uma procura ativamente desagradável.

Alguns fazem isso de proposito, enquanto outros pretendem despertar, mas só conseguem esvaziar todo o interesse que poderia ter vindo no processo. Você pode adicionar a esta lista a nova adaptação, altamente esperada do pobre romance de E L James - 50 Tons de Cinza, embora seja difícil dizer se James e a diretora Sam Taylor Johnson tinham o proposito de excitar ou desligar o erotismo de vez. A história de James é uma conspiração para levar a desajeitada e tímida Anastasia (Dakota Johnson, a única graça do filme), para os braços do arrogante, secretamente inseguro e assustado Christian (Jamie Dornan), mas as cenas de sexo podem ser deixadas de lado, há pouca química sexual entre eles e sua relação BDSM não é apenas torta mas francamente preocupante. (Sim, eu fui ver o filme pra escunhabar aqui, mas isso é tudo que eu consigo dizer sobre ele).

Então, para não perder meu dinheiro, e antes de liberarmos mentalmente a roubada que é 50 Tons para fora do nosso sistema, aqui está uma lista de filmes que fizeram o que deveriam de dois adultos ou mais em sexo consentido algo mais digno de um olhar cinematográfico. Vamos ver se era essa a intenção ou não para cada um deles, e se eles em geral são dignos do seu tempo, mas, entretanto você pode deixar a caixa de brinquedos sexuais longe: você não vai precisar deles.


1 - O Último Tango em Paris (1976)

A história do cinema nunca mais foi a mesma depois que o diretor Bernardo Bertolucci colocou na tela Marlon Brandon besuntando com manteiga Maria Schneider para uma ação mais confortável pela porta de trás neste filme marcante. O conto de dois estranhos que se encontram em um apartamento vazio para f****. A dor, essencialmente longe de Bertolluci, tem uma carga erótica para ele, mas é inundada por sentimentos de alienação e violência sexual que permeia de Brandon a Schneider em um relacionamento condenado, mas muito poderoso

Gostaríamos de pensar que esse era o ponto de Bertolucci, já que ele nos entregou uma visão muito mais de descoberta sexual juvenil e êxtase em Dreamers de 2003.


2 - Império dos Sentidos (1986)

Com base em um incidente que ocorreu no Japão na década de 1930, o épico de dominação sexual e degradação, do diretor Nagisa Oshima teve que ter sua filmagens finalizadas na França para não ser apreendido pela as autoridades Japonesas. O filme explora a relação entre o proprietário de um hotel (Tatsuya Fuji), e a empregada domestica transformada em prostituta (Eiko Matsuda) que se torna sexualmente algo mais experimental e até mesmo perigoso, com um final que não é para os fracos de coração.

O que não é sexy: os dois amantes são muito danificados e obsessivos para sua atividades parecerem qualquer coisa sexy, e sim, muito desesperados.


3 - 9 e Meia Semanas de Amor (1986)

Mickey Rourke, no auge de sua fama inicial e a novata Kim Basinger começam a trabalhar num épico de humilhação sexual do diretor Adrian Lyne. De muitas maneiras, este filme é um ancestral de 50 tons, do seu personagem masculino disfarçadamente seguro para uma persona feminina previsível e emocionalmente vulnerável. Assim como no último filme, a relação, inicialmente impessoal entre os dois, fica complicada quando o sentimento entra na equação.

Mas, 9 e Meia Semanas tem o mesmo distanciamento emocional de 50 Tons, e isso não ajuda na direção de Lyne que ainda se sente raso e explorador. O calor emitido a partir dos dois condutores da trama não para de ser um trabalho árduo, por que o seu roteiro e direção não tem a inteligência para dar à história uma verdadeira profundidade.


4 - Nekromantik (1988)

Filmado em Super 8, com um orçamento menor dos que os apertados apartamentos do Programa Minha Casa Minha Vida, dirigido pelo Alemão Ocidental (Tinha que ser...) Jorg Buttgereit, está é a história de um casal que se entrega a necrofilia, e é algo feio e repugnante para se ter em um filme. Sexo gráfico com (falsos) cadáveres, mutilação, copioso gore e abate real de animais (retirado de documentários, mas ainda repugnante), fazem parte das festividades, embalado em quase insuportáveis 75 minutos.

Não há nenhuma duvida quanto a intenção do diretor aqui e nem mesmo uma pitada de qualquer coisa erótica; trata-se de um ramo particularmente doente da sexualidade e como ele opera em conjunto com um colapso mental em câmera lenta. É claro que os fãs de horror gore o reverencia-o pelo cenário de abalar tabus, mesmo que haja apenas uma pequena embarcação de cinema verdade em exposição.


5 - Encaixotando Helena (1993)

A estreia na direção da filha de David Lynch, Jennifer é tediosa como o inferno deve ser, graças a um enredo estupido, escabroso e um desempenho protagonista terrível de Julian Sands. Ele interpreta um cirurgião cuja obsessão por uma mulher (Sherilynn Fenn) leva-o a mantê-la cativa e de pernas amputada depois que ele a salva de um acidente de carro (melhor ter morrido lá).

As cenas de sexo são tipicas da década, mas Sands é tudo que vemos além de Fenn, para gerar um calor qualquer. Se Jennifer queria com isso provocar uma meditação sobre como a obsessão pode rapidamente se transformar em crueldade... bem, o filme é certamente o último. Graças aos deuses!


6 - Corpo em Evidência (1993)

De Sliver a Jade para Showgirls, os anos 1990 podem entrar para a década dos filmes defeituosos em termos de sexo. E um dos piores do grupo tem que ser este bombástico romance S & M estrelado por Madonna como uma mulher acusada de assassinar seu amante muito mais velho (ao induzir um ataque cardíaco através do sexo) e William Dafoe como seu advogado, que acaba de embarcar em um caso sadomasoquista com ela.

As cenas de sexo do filme são bastante gráfica, mas prejudicadas pela atuação rançosa de Madonna e do ar de desagrado do filme como um todo, que se parece com um cobertor molhado, um pedaço de pão amanhecido. Até mesmo os entusiastas da cera de vela têm que fazer um esforço para ficar acordado.


7 -  Kids (1995)

O fotógrafo Larry Clark iniciou sua carreira muitas vezes ignominiosa como diretor com esse olhar duro, mas fascinante em um grupo de adolescentes de Manhattan e a forma como eles lidavam com o sexo e drogas ocasionais no auge da epidemia de AIDS. Com um  elenco até então incógnito (Chloe Sevigny e Rosario Dawson entre eles) e um estilo de filmagem documental, Clark coloca na tela uma geração de garotos e garotas que percebemos desconfortável para vida e difícil de assistir, mas que serve de referência para o que vemos hoje na realidade.

E, além do fato de que você estará assistindo atores que acabaram de sair da infância, o sexo é preocupante por causa da absoluta ausência de conexão emocional dos personagens. Alguns dos filmes posteriores de Clarck como Ken Park de 2002, foram ainda mais explícitos no manuseio do sexo adolescente, formando uma sombra infeliz por trás do seu debut.


8 - Showgirls (1995)

A montagem anti-clássica, Showgirls foi um desastre, que deixou a carreira do diretor Paul Verhoeven, o roteiristas Joe Eszterhas e a estrela Elizabeth Berkley em completa desordem, ao mesmo tempo que se tornou a maior bilheteria entre filmes NC-l7 (classificação para maiores de 17 anos, nos Estados Unidos), de Hollywood (relativamente falando, ainda era uma droga, embora tenha sido um imenso sucesso em homevideo).

Pior, a maioria dos instintos over-the-top de Verhoeven são dados gratuitamente aqui, enquanto todos os atores do elenco transforma-se no que deve ser ser uma carreira low. Quanto ao sexo... dê uma olhada na cena ridícula de sexo na piscina, entre Berkeley e Kyle MacLachlan para ver uma das piores coisas já produzidas.


9 - Crash (1996)

Sexo sempre desempenhou um papel crucial em muitos dos filmes do diretor David Cronenberg, geralmente misturado (nos seus primeiros dias), com algum vírus de alteração da carne. Crash descarta o último em favor de algo um tanto mais corajoso e mais inquietante: a psicologia das pessoas que  precisam de acidentes de carro e suas lesões resultantes para desperta-las sexualmente.

Controverso quando do seu lançamento - assim como o romance original de JG Ballard foi - Crash se beneficia do olhar clinico de Cronenberg como cineasta: os personagens (James Spader e Holy Hunter entre eles) parecem ligados em membros esmagados e vaginas feridas, mas não são.


10 - Shame (2011)

Um poderoso desempenho do grande Micharl Fassbender, que está no coração do retrato sem piscar de Steve McQuenn de um homem nas garras do vicio sexual. Nem todos os filmes nesta lista são especialmente grande, mas este é. Os desejos incontroláveis e a profunda humilhação do personagem estão escritos no rosto de Fassbender, enquanto que seu relacionamento com a irmã perturbada (Carey Mulligan) é complexo e talvez repugnante.

É um filme de pessoas profundamente perturbada, profundamente feridas, e o sexo abundante no filme é um ato maquinal despojado de todo prazer e intimidade. O rosto de Fassbender chegando ao orgasmos em três vezes no filme já diz tudo.


11 - The Canyons

Muito divulgado por causa da sua produção conturbada e a presença da estrela Lindsay Lohan, a produção amadora limítrofe de Paul Schrader é sobre jovens entediados F****** em torno e literalmente, de Hollywood. Estrelando ao lado de Lohan está, na vida real um ator porno James Deen, cuja a incapacidade de fazer alguma atuação real é acompanhada apenas por sua falta total de química com Lohan.

O sexo é tão frio quanto pizza de ontem a noite e só os fãs mais obsessivos vão obter alguma carga de erotismo ao olhar para Lohan, que apesar de tudo, atua com algo que lhe redime. Mas Canyons ainda é como um vale montanhoso sem picos.

Mais sobre The Canyons no nosso comentário


12 - Nynphomaniac

O encrenqueiro dinamarquês Lars Von Trier tem sempre retratado o sexo em seus filmes como um ato de agressão se não de guerra aberta, e ele atirou-se completamente no campo de batalha com esta exploração em duas partes de uma mulher (a valente Charlotte Gainsbourg), que viveu uma vida de abandono sexual que deixou a ela e outras pessoas envolvidas com ela emocionalmente danificadas

50 Tons de Cinza está no cinema,  mas é impossível que você não tenha tomado conhecimento disso.

domingo, junho 07, 2015

[Repost] Paris, Te Amo

Paris, Je T'aime - 2006
Dir: Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Emmanuel Benbihy, Gurinder Chadha, Gurinder Chadha, Ethan Coen, Joel Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuarón, Gérard Depardieu, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Walter Salles, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Daniela Thomas, Tom Tykwer, Gus Van Sant
Elenco: Juliette Binoche, Gaspard Ulliel, Steve Buscemi, Willem Dafoe, Nick Nolte, aggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Elijah Wood, Olga Kurylenko, Natalie Portman e mais uma cacetada de gente. 

If You Leave - Daughter, ou: Aurora Boreal Sonora (Repost)


Um som tão suave. Fios coloridos de luz num céu de fim de tarde... o som do Daughter parece uma aurora boreal sonora.

"If You Leave" (2013) é um disco pequeno, mas gigante em sua abrangência sentimental. Uma gama de poderosos impulsos se agita dentro do teu peito quando a voz suave e céltica de Elena Tonra começa as canções. Podemos dizer que o grupo gira/existe em prol dela, dessa voz mística de neblina.


Há guitarras iradas e suaves, como há violões; o baixo é presente, mas meio que insidioso; a percussão, ah, essa merece ser visitada e vivida. Na maioria das músicas, ela pulsa.

A harmonia entre o instrumental e a voz de Elena é total. As músicas, elas meio que são premeditadas, mísseis teleguiados que te acertam diretamente onde você não poderia ser acertado.

E - BAM! - Você é pego escutando aquelas canções que te deixam mesmerizado e perdido em si mesmo.

A música invade teu sangue e se insinua entre os músculos e a pele como uma paixão. Você deseja que as histórias que ela canta fossem as suas.


É como redenção para aqueles que não acreditam no Paraíso. Como se explica uma canção suave e agressiva ao mesmo tempo, mas sem violência? Como eles conseguiram cesso direto para o gêmeo maligno?

Amor, perda, saudade, frio.Escuridão, paisagens, chuva, sangue. Juventude e morte.

Isto é Daughter. Tanto poder numa banda "desconhecida"...

Quer viajar hoje para uma Inglaterra com feeling de Islândia e aproveitar os fogos do céu, presentes do sol e da capa magnética que nos rodeia? Feche os olhos.



Todas as músicas são nível "bad motherfucker". Todas elas vão te fazer querer chorar e lembrar de algo que não é memória, e sentir saudades de um lugar que não existe.


Escute esse disco, e que venham muitos mais.

Abraços sonoros do Ladrão de Almas, cansado de tudo, por tudo.

domingo, maio 31, 2015

Repost: Mesmo Delivery, de Rafael Grampá.

Dia desses li um artigo no qual o autor de um blog escorraçava vertiginosa e vorazmente o quadrinista Rafael Grampá por, entre uma série de outros motivos (alguns com os quais eu até concordo), afirmar que o cara não é um gênio. Outro motivo é o fato de o autor/desenhista não ser exatamente o que se pode chamar de produtivo. O que não é uma inverdade, nenhuma das duas alegações: Grampá definitivamente não é um gênio e definitivamente não é nada produtivo.

segunda-feira, maio 18, 2015

domingo, maio 10, 2015

3 Filmes Ruins Que Eu Nunca Veria Outra Vez (repost)

(e Que Nem Valem Uma Postagem)


Dia desses falei aqui dos meus dez (onze) filmes favoritos de todos os tempos. Hoje farei o oposto e falarei das três piores coisas que já vi na vida. São os piores filmes feitos na história da humanidade? Não, não são, mas são obras que me afetaram negativamente de uma forma tão grotesca que eu me recuso a vê-las novamente.

terça-feira, maio 05, 2015

Sunny Side Up (2009), de Paolo Nutini

Sunny Side Up (2009) é o segundo disco de Paolo Nutini, este rapaz escocês que conheceu o sucesso muito cedo quando do lançamento do álbum These Streets (2006). Sua voz rouca e cansada tem uma sonoridade rica e cheia, contradizendo sua juventude. Sua música é rica em influências várias, e isso fica muito claro aqui neste álbum do qual vos falo.



Sunny Side Up não é um disco fácil. Nutini passeia pelos mais diferentes estilos, flertando com o reggae e com a música sulista dos EUA, passeando pela música folclórica britânica e pelo britpop com um domínio que, na voz e talento de outro, não ficaria bem. Eu mesmo vim gostar do disco após algumas tentativas. O que inicialmente parece uma abordagem esquizofrênica e estilhaçada acaba demonstrando a criatividade e o desejo experimentalista deste que é, em minha opinião, um dos cantores pop mais bem sucedidos da atualidade.

Sugiro escutar com um bom uísque.

Segue a playlist. Escutar com atenção e paciência, não se deixar assustar pelo ritmo "alegrinho" de algumas faixas.


Minhas preferidas são: Coming Up EasyGrowing Up Beside YouCandyTricks Of The Trade e No Other Way. Gosto das outras, mas não são aquelas que - puuutz, eu morro por elas.

Classificação do álbum: Sexta-Feira. Pelas baladinhas. E pelo talento do cara, que é fera demais.

Abraços e até mais.

domingo, abril 26, 2015

Prometheus (2012) - de Ridley Scott (Repost)


Muito já se falou sobre reboots e prequels. Muitas críticas foram feitas à indústria cinematográfica sobre "eles" quererem apenas ganhar dinheiro e não terem mais originalidade.

Ponto 1: Quem não quer ganhar dinheiro? Por favor, não sejamos hipócritas.

Ponto 2: O que é originalidade? Contar uma história que ninguém nunca ouviu ou viu igual, parecida ou semelhante, usando recursos inéditos? Onde existe isso? Tudo se baseia em algo anterior. Originalidade é uma pretensão que já nasce falha.

O fato é que Prometheus (2012) é um bom filme, que entrega o que vende. É um filme de ficção científica e suspense. É um ponto de partida para a história que deu origem à série de filmes "Alien". É o uso absurdamente capaz da tecnologia para recriar mundos. É um filme que discute (superficialmente, certo) a relação entre ciência e religião.

Ou não? O que você esperava?

O filme tem furos de roteiro? Qual não tem? É preciso ter uma enorme suspensão de descrença para aceitar o que ali está sendo contado?

Ah, pelo amor de Zeus, vá assistir documentários então! Isso é Cinema, meu querido, isso é entretenimento! Uma das coisas que me dá mais pena é assistir a um filme perto de alguém que fica dizendo: "Mas que mentira! Isso nunca iria acontecer". F*da-se você e sua mentalidadezinha de novela da Globo. Eu sou fã de cinema e de FC, e deixo essas limitações mesquinhas para mentes pequenas.

Desabafo feito, retornamos.

O filme é um primor aos olhos e ouvidos. Os efeitos (sonoros e visuais) são de cair o queixo. A trilha sonora é magistral, e nos acompanha do início ao fim, sempre harmonizada com o ritmo de cada segmento de cenas. Os atores principais são excelentes, mas o elenco de apoio deixa um pouco a desejar. Destaco aqui o trabalho de Michael Fassbender como o sintético David, arrasando tudo com sua performance assustadora. Parece uma criança de sete anos de idade com uma curiosidade sem limites e nenhuma amarra moral.

Noomi Rapace está também excelente como a Doutora Elizabeth Shaw, pesquisadora que conduz o grupo na sua busca pelos Engenheiros, nossos criadores. A (sempre excelente) Charlize Theron não decepciona como Meredith Vickers, capitã da nave, e Idris Elba está excelente como Janek, o piloto da Prometheus.

Não há espaço para humor aqui. O filme pega ritmo a partir do momento em que eles desembarcam na lua LV-223, que circunda um gigante azul e gasoso na zona de vida de um sistema solar que tem um sol parecido com o nosso. Chegando lá guiados por pinturas rupestres e representações pictográficas de vários povos da Terra com milhares de anos, buscam encontrar respostas junto àqueles que - supõe-se - são nossos verdadeiros criadores.

Mas as coisas não saem como planejado e logo nos deparamos com criaturas nunca antes vistas, letais e belos seres vivos completamente - desculpem o uso da palavra - alienígenas.

Rapidamente se instaura o caos, e as pessoas começam a morrer como num bom filme de suspense.

Não falo mais por não gostar de espalhar spoilers para quem não assistiu, mas aconselho que o filme seja visto. De preferência em HD, para que se possa aproveitar todo o potencial visual que Ridley Scott nos propicia.

Alerto aqui os leitores para as influências e homenagens feitas aos senhores H. P. Lovecraft (deus da literatura gótico-fantástica de terror e ficção) e ao Erich Von Däniken, escritor pilantra que associou o desenvolvimento e evolução da raça humana a deuses alienígenas em sua obra mais famosa, "Eram os Deuses Astronautas".


O que move os cientistas de Prometheus e Peter Weyland (Guy Pearce, impecável sob uma maquiagem perfeita e quase irreconhecível) é a busca pela divindade, que pode te trazer respostas para as questões primordiais ou te conceder mais tempo de vida.

Classificação:



E você, o que seria capaz de fazer, até onde iria, para encontrar seu criador?

Deixo-vos com este questionamento e me despeço após a dupla postagem de hoje. Putz, isso cansa, mas é recompensador.

Abraços do Ladrão de Almas, M.Euclides.

domingo, abril 19, 2015

Repost - Paris, Te amo

Dia 314
Paris, Je T'aime - 2006
Dir: Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Emmanuel Benbihy, Gurinder Chadha, Gurinder Chadha, Ethan Coen, Joel Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuarón, Gérard Depardieu, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Walter Salles, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Daniela Thomas, Tom Tykwer, Gus Van Sant
Elenco: Juliette Binoche, Gaspard Ulliel, Steve Buscemi, Willem Dafoe, Nick Nolte, aggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Elijah Wood, Olga Kurylenko, Natalie Portman e mais uma cacetada de gente. 

Blade Runner - Ridley Scott (Repost)

Repost

Li esses dias - http://www.philipkdick.com/new_letters-laddcompany.html - uma carta do Philip K. Dick onde ele expressava imensa gratidão pela visão e pelo mundo criado em cima de sua obra Blade Runner. Para quem não sabe, Dick é um dos maiores escritores de Ficção Científica que já existiu. Sua visão do futuro é completamente diferente de tudo o que havia sido escrito até então, com personagens extremamente humanos e imprevisíveis, e diálogos e situações extremamente bem construídos e originais.

Pois bem, senhoras e senhores, neste momento eu e o Felipe trocamos os papeis. Ele ficará com música e eu me aventurarei aqui no cinema. Eu não tenho o mesmo olhar cinematográfico que meu irmão, nem o viés técnico aliado ao talento que acredito ver nele - mas sou um fã apaixonado que tem a capacidade de dizer uma coisa ou duas a respeito de um filme.

E Blade Runner (1982) é, para mim, um marcador de águas. Posso dizer que este filme, lançado no ano em que nasci, foi minha maioridade cinematográfica. Após ele, nunca mais pude ver o cinema enquanto arte da mesma maneira.

Chuva, muita chuva. Aqui não se consegue ver o céu, apenas um dirigível convidando você a morar nas colônias fora da Terra. Deckard aguarda seu macarrão enquanto lê um jornal apoiado na parede que fica em frente ao trailer de comida chinesa/japonesa (?).

Quando senta para tentar comer, dois oficiais de polícia chegam e o conduzem de flutuador até o Capitão Bryant, chefe de Polícia, que lhe deixa a par de uma situação preocupante: alguns replicantes fugiram de seus trabalhos forçados em algum lugar do universo em direção à Terra. Mas esses não são replicantes comuns: São Nexus-6. Parecem humanos, mas são mais fortes e mais ágeis, e tão inteligentes quanto aqueles que os desenharam/criaram.

Deckard é um ex-Blade Runner, um "aposentador" de replicantes, conhecido como um dos melhores. E Bryant o quer nessa missão.


O que são os replicantes? O termo androide não se aplica bem aqui, ou pelo menos não preenche o significado necessário à compreensão. Eles não são mecânicos, ou parte mecânicos - são orgânicos e estão vivos. São criados geneticamente para exercer funções em situações extremas que um ser humano normal jamais conseguiria realizar. Mas devido a problemas de programação e replicação, os Nexus-6 têm vida curta: são programados para morrer quatro anos após sua ativação.


O que você faria se soubesse que sua morte tem dia marcado, e se soubesse quando ela aconteceria? Se você soubesse que era possível procurar seu Criador, o que você faria?

O que pediria?

Estes replicantes têm em mente um pedido simples. Querem mais vida.

Enquanto tenta realizar sua missão, Deckard encontra com Eldon Tyrrell, o criador dos replicantes, e sua sobrinha Rachael. Após um diálogo intenso com os dois, Deckard , através do teste Voight-Kampff, descobre junto com Rachael que esta é uma replicante.

E Deckard segue matando os replicantes. As cenas são cruas e dinâmicas, sangrentas e extremamente violentas. Aqui vemos Deckard como um herói que sofre, sangra e se machuca, tanto física quanto psicologicamente.

E aqui vai uma nota sobre seu envolvimento com Rachael. Sean Young sempre foi uma atriz muito linda, mas aqui ela está magnífica. Seus grandes olhos castanhos, seu rosto de pele macia e traços suaves... nasce aqui um relacionamento amoroso brutal e necessário. A cena de amor entre Deckard e Rachael, tendo ao fundo a brilhante e magistral música de Vangelis, é a cena romântica mais bonita do Cinema.


A jornada prossegue. Logo restam apenas Deckard e Roy Batty, o líder dos replicantes. O embate entre os dois é assustador, com Roy mostrando o tempo todo sua superioridade e inteligência, sua força e capacidades. Deckard deixa de ser caçador e passa a lutar por sua vida enquanto foge deste vilão fantástico construído por Rutger Hauer.


Deixo aqui de lado os julgamentos de valor e os moralismos. Blade Runner é um filme que fala de vida e de morte, de origens e de fins. Caçar e matar seu criador não é uma novidade na história da humanidade, e a maioria das pessoas inteligentes que eu conheço faria a mesma coisa por um pouco mais de tempo.

Blade Runner é um épico da FC e um marco na carreira de Riddley Scott. Veremos essa obsessão pela origem e por mais vida acontecendo em seus outros filmes - principalmente em Prometheus, e acredito ser esta uma de suas marcas diferenciais.

Não ouso classificar Blade Runner. Para mim, tecnicamente falando, não há luas suficientes na Via Láctea para dizer o quanto este filme é maravilhoso e profundo. Para encerrar, deixo vocês com Roy Batty/Hutger Hauer e seu clássico monólogo de despedida.


No mais, não assistiu ainda? Não conhece? Procure e assista essa revolucionária experiência de cinema.

Abraços a todos.

P.S.: Deixo para os exegetas a missão de lidar com as polêmicas. Versão de Cinema, Versão do Diretor, Versão Final, Narração em Off, Final diferente... isso são coisas menores que não chegam a impactar tanto na experiência de assistir ao filme. A única mudança digna de mexer com os paradigmas do filme é o fato de Deckard ser um replicante ou não - e quanto a isso o Diretor do filme não deixou dúvida alguma.

terça-feira, abril 07, 2015

Bad Company - Bad Company (1974) - Isso sim é Rock, bitch.


"Fazer Rock não é contar piada
Quem faz Rock assim não é de nada
O Bom Rock fala ao coração..."

Eu sei, é muita cara de pau minha parodiar Vinícius, mas quando se fala de Bad Co. é preciso entender e sentir que o bom e velho Rock 'N' Roll se faz com o coração.

E isto, senhoras e senhores, é Bad Company. Rock old school feito de bons solos e riffs, um vocalista inspirado e entregue, baixista e baterista imbuídos da magia negra do Rock que vem das profundezas da alma.

Não sei porquê tenho essa impressão, este sentimento de que Paul Rodgers canta com a alma, e levava assim a banda com ele a vibrar em padrões harmônicos completamente anormais no que diz respeito ao fazer do Rock.

Bad Company não respeitou o calendário. Não era uma pop-rock band, nem uma progressive rock band. As influências do blues, do soul, de músicas mais baladas e cadenciadas estão presentes no desejo que o grupo demonstra em fazer boa música.

E este disco de 1974 é um primor. Arranjos maravilhosos, harmonia, objetivo, foco e sentimento: puro Rock.

Atenção às faixas: "Can't get enough", "Rock Steady", "Ready for love", "Don't let me down", "Bad Company" e "Seagull". Atenção à guitarra segura e concisa de Mick Ralphs, e à voz suave e poderosa de Rodgers. Atenção ao respeito e à presença do baixo de Boz Burrell, e à bateria consciente e marcante de Simon Kirke.

Meu conselho? Não escute este disco. Você corre sério risco de se tornar fã de uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos. Mas se mesmo assim você resolver ouvir, entregue-se de coração ao Bad Co. e suas músicas, sinta a verdade dos apelos da guitarra e diga:

- Isso sim é Rock, bitch.


Boa noite e muito Rocn 'N' Roll na tua vida. Pois somente a poesia e os solos de guitarra podem alcançar em nós aquilo que temos de melhor.

Abraços!

terça-feira, março 31, 2015

The Queen is Dead (1986), The Smiths: Vida Longa aos Smiths (Repost - Seção 01Dia).


O que há de bom em The Smiths?

1. Eles são britânicos.
2. O Morrissey.
3. Johhny Marr.
4. A banda é foda.

Dito isto, segue a análise de hoje: The Queen is Dead (1986), The Smiths.

Em 1986 em tinha quatro anos de idade. Posso sentir as engrenagens de sua cabeça funcionando agora, calculando. Tenho trinta e três anos, e me sinto cansado e velho. Sofro de uma síndrome chamada "vetus anima in novi corporis". Os sintomas são parecidos para todo mundo que sofre deste mal: gostar de coisas boas e velhas a despeito da idade.

The Smiths é bom - isso é um fato. Existe essa revolta contra o indie, e eu acho a maior bobagem. Ser indie hoje em dia significa ser original, fugir do mainstream, ser diferente e bacana - e os Smiths já eram assim antes de termos e rótulos.

The Queen Is Dead tem uma sonoridade pura e rebelde típica da época. As desilusões amorosas, a luta contra os estereótipos, a juventude perdida em sonhos e ilusões... tão típico da geração que hoje atravessa a meia idade... "Ei, nós deveríamos ter salvado o mundo", gritam eles para nós, os niilistas supremos herdeiros de um nada inconsequente.

Um disco ácido, seco, mas que nem por isso deixa de ser romântico e sensível. E verdadeiro.

Um disco como não se sabe fazer mais. Bem, talvez o Los Hermanos tenha abraçado algo da essência do que os Smiths tentaram nos passar, talvez seja apenas eu ficando louco, mas quem somos nós para salvar o mundo quando há tantos corações partidos?


Atenção às faixas: "I Know It's Over", "Never Had No One Ever", "Bigmouth Strikes Again", "The Boy With The Thorn In His Side" e "There's A Light That Never Goes Out". São músicas essenciais à formação do caráter de um ser humano. São músicas que eu gostaria de ver meus filhos tocando, cantando e murmurando por aí, mesmo que ninguém conheça, mesmo que ninguém se lembre.


O filme "500 dias com ela" coloca os Smiths em evidência. Se não viu ainda, veja. Temos Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel como o casal arquetípico das músicas dessa época/era, principalmente sob a influência de Morrissey e companhia.


E não deixai The Smiths serem esquecidos. Amém.

Classificação:




Boa Noite a todos.
O Ladrão de Almas, M. Euclides.

sexta-feira, março 20, 2015

Bárbara Eugênia - É o que Temos (2014) - Seção 01Dia

Repost! Seção 01Dia

Ela está de volta, e veio para ganhar. Arrebata os fãs, carrega admiradores na dobra do vestido, encanta o pessoal da velha guarda...

Bárbara Eugênia e sua voz de veludo... tão linda, tão simples, tão francesa em sua nova encarnação que apenas maximiza seu talento e suas escolhas. "É O Que Temos" é um disco para pessoas que curtem música de qualidade, independente de rótulos. Brega, hipster, fossinha... nãonãonão. A música de Bárbara é única, algo que antes só havia sido sentido nos três primeiros discos do Los Hermanos - a estranheza do amor, o nonsense da solidão, a indecência da impotência.

Claramente evoluída de uma obra para outra, porém seguindo a mesma linha, Bárbara demonstra um domínio maior de sua voz e uma ousadia incrível na escolha de seu repertório. Não são músicas fáceis. Não é perfil de rádio popular: são voltadas para pessoas tão corajosas quanto ela, que sofrem por amor e com os reveses.

E uma das melhores do disco chama-se "Por que brigamos".


Sim, eu estou curtindo música "brega". Confesso que Bárbara me trouxe de volta um olhar carinhoso sobre o romantismo exacerbado da música brasileira "de roer". E só por isso ela merece um cheiro. Além do fato de ser linda e talentosa, claro.

Este disco têm participações de pessoas do calibre de Tatá Aeroplano, Guizado e Pélico, com a produção de ninguém menos que Edgar Scandurra. Pessoas de tanto peso juntas em prol da realização de um som maravilhoso, que busca referências em tantas fontes e que sai coeso e poderoso... todos em prol de Bárbara, porque ela merece demais.


Sim, eu sou um fã bobo. Adoro a sonoridade dela, a voz rouca, o jeito que canta, o sotaque meio lugar nenhum... Bárbara é encantadora em sua simplicidade, sua meninice, sua meiguice. É impossível não escutá-la/vê-la e não se apaixonar.


Recomendo 200% a audição deste disco maravilhoso, junto com o primeiro disco dela, o "Journal De BAD". (http://www.01pordia.com/2013/03/journal-de-bad-barbara-eugenia-ou-nao.html).


Você não vai se arrepender. Bárbara é um caleidoscópio auditivo que merece ser descoberto por todos nós.

Boa noite, que eu vou sonhar com ela cantando pra mim. (Não precisa ficar com ciúmes, Dani: é só um artifício músico-literário pra deixar o final mais impactante. :)  ).