quinta-feira, março 14, 2013

Muse - Absolution, 2003

Dia 73 - Felipe P. 70
Você pega paixão, paranoia, ficção científica e poesia e mistura a uma sonoridade pouco usual, barulhenta, porém harmônica e minuciosa. Letras trabalhadas e arranjos sofisticados que chamam atenção pela estranheza te deixam com uma sensação de dúvida: MUSE é bom ou é apenas diferente?
Eu conheci MUSE num programa de TV chamado Rock Collection que era exibido numa tv local. O programa era uma compilação de videoclipes da banda e um pouco de sua biografia, apresentado por um careca sem carisma filmado por um sujeito que insistia em focar no piercing que ele tinha na sobrancelha, coisa bem sem noção.
A banda devia estar em seu terceiro CD, ainda tinha uma pegada que se assemelhava bastante ao Radiohead e na época eu era alucinado por Radiohead. Isso foi uns oito anos atrás, talvez mais e eu nem sonhava em ter internet em casa e a coisa ficou meio que por isso mesmo.
Anos depois meu irmão chegou pra mim e perguntou se eu conhecia uma banda chamada MUSE, disse que um amigo da faculdade tinha apresentado a ele.
Ver uns videoclipes num programa de meia hora foi bacana, mas ouvir a discografia inteira da banda, até então quatro discos, me deu uma nova perspectiva.
Eu ouvi um cara dizer que essa era uma banda alienígena ou de outra dimensão, que sua sonoridade era quântica ou coisas do tipo. É uma sensação recorrente quando você começa a ouvir MUSE, a de falta de familiaridade. O som dos caras te obriga a analisar a coisa toda, prestar atenção a detalhes incomuns, questionar seu próprio gosto musical. Te tira da zona de conforto. É um rock sombrio e sofisticado que faz uso de pianos e violinos, dá importância incomum a baixo e bateria, mistura voz a solos de guitarra, mas sem cair na psicodelia. Na verdade, eu diria que MUSE dá forma à psicodelia.
E Absolution, seu terceiro disco de estúdio, lançado m 2003, é de um bom gosto e de um cuidado pouco vistos. É um negócio que beira o metrossexual, mas o faz com dignidade e com propósito.
Absolution vai de rocks pesados a baladas melancólicas, cheio de referências a bandas e estilos, sem nunca perder sua identidade, sua forma. Refrãos (sim, esse é o plural de ‘refrão’ e isso me assustou demais!) grudentos e complexos, solos de guitarra alucinantes, estilo, estética, é quase como se as músicas tivessem visual.
A partir da segunda faixa do disco, é um combo de músicas excelentes que te faz querer ouvir até o final e, durante as seis próximas músicas, você fica elétrico. O resto do disco também é excepcional, mas Apocalypse Please, Time is Running Out, Sing for Absolution, Stockholm Syndrome, Falling Away With You e Hysteria são épicas! MUSE não me decepcionou até hoje, mas posso dizer que Absolution é o melhor disco da banda. Ou pelo menos o meu favorito.
E respondendo à questão do começo do texto: MUSE é épico!

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