Dia 73 - Felipe P. 70
Você pega paixão, paranoia, ficção científica e poesia e
mistura a uma sonoridade pouco usual, barulhenta, porém harmônica e minuciosa. Letras
trabalhadas e arranjos sofisticados que chamam atenção pela estranheza te
deixam com uma sensação de dúvida: MUSE é bom ou é apenas diferente?
Eu conheci MUSE num programa de TV chamado Rock
Collection que era exibido numa tv local. O programa era uma compilação de videoclipes
da banda e um pouco de sua biografia, apresentado por um careca sem carisma
filmado por um sujeito que insistia em focar no piercing que ele tinha na
sobrancelha, coisa bem sem noção.
A banda devia estar em seu terceiro CD, ainda tinha uma pegada que se assemelhava bastante ao Radiohead e na época eu era alucinado por
Radiohead. Isso foi uns oito anos atrás, talvez mais e eu nem sonhava em ter
internet em casa e a coisa ficou meio que por isso mesmo.
Anos depois meu irmão chegou pra mim e perguntou se eu
conhecia uma banda chamada MUSE, disse que um amigo da faculdade tinha
apresentado a ele.
Ver uns videoclipes num programa de meia hora foi bacana,
mas ouvir a discografia inteira da banda, até então quatro discos, me deu uma
nova perspectiva.
Eu ouvi um cara dizer que essa era uma banda alienígena
ou de outra dimensão, que sua sonoridade era quântica ou coisas do tipo. É uma
sensação recorrente quando você começa a ouvir MUSE, a de falta de
familiaridade. O som dos caras te obriga a analisar a coisa toda, prestar
atenção a detalhes incomuns, questionar seu próprio gosto musical. Te tira da zona
de conforto. É um rock sombrio e sofisticado que faz uso de pianos e violinos,
dá importância incomum a baixo e bateria, mistura voz a solos de guitarra, mas
sem cair na psicodelia. Na verdade, eu diria que MUSE dá forma à psicodelia.
E Absolution, seu terceiro disco de estúdio, lançado m
2003, é de um bom gosto e de um cuidado pouco vistos. É um negócio que beira o metrossexual,
mas o faz com dignidade e com propósito.
Absolution vai de rocks pesados a baladas melancólicas,
cheio de referências a bandas e estilos, sem nunca perder sua identidade, sua
forma. Refrãos (sim, esse é o plural de ‘refrão’ e isso me assustou demais!)
grudentos e complexos, solos de guitarra alucinantes, estilo, estética, é quase
como se as músicas tivessem visual.
A partir da segunda faixa do disco, é um combo de músicas
excelentes que te faz querer ouvir até o final e, durante as seis próximas
músicas, você fica elétrico. O resto do disco também é excepcional, mas Apocalypse
Please, Time is Running Out, Sing for Absolution, Stockholm Syndrome, Falling
Away With You e Hysteria são épicas! MUSE não me decepcionou até hoje, mas
posso dizer que Absolution é o melhor disco da banda. Ou pelo menos o meu
favorito.
E respondendo à questão do começo do texto: MUSE é épico!

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