quinta-feira, maio 01, 2014

Penny Dreadful - Premiere

Uma série que impressiona para seu começo



Havia em min uma certa ansiedade para começar a ver está nova série em razão dos trailers que eu havia encontrado pela rede. Um certo medo, é claro, e não apenas por ser uma série de terror, mas também ela anunciava uma premissa tão interessante que chegava a assustar por sua ousadia.




Penny Dreadful é uma criação de Sam Mendes e John Logan, o diretor e roteirista de 007 – Operação Skyfall respectivamente, que ao lado de alguns bons nomes do cinema como Evan Grenn e Timothy Dalton – sim, o Bond nos filmes da década de 1980 e 1990 – completado por Josh Hartenett, ambientaram uma série de horror sobrenatural que se passa na era vitoriana com fortes pinceladas de elementos góticos. A série promete trazer em seu conteúdo ainda algumas da mais famosas criaturas e contos clássicos de terror, como Drácula, Dorian Grey, Frankenstain e etc.


“Penny Dreadful”, para quem não sabe, era o nome dado a publicações baratas e sensacionalistas que circularam na Era Vitoriana. Os pequenos jornais, de poucas páginas, continham histórias de terror seriadas, publicadas semanalmente, e que, com bastante violência, serviam para entreter os jovens operários da época. É desse universo literário que a série do Showtime tira suas inspirações e apresenta alguns dos célebres personagens de terror criados no século 19.

Para a estreia algumas das mais assustadoras cenas que não economizaram em corpos estripados, cadáveres e sangue, muito sangue. Não poderia haver melhor momento mais perfeito da história para ambientar algo assim, não é à toa que alguns dos mais assustadores monstros da literatura universal de horror surgiram nessa época. No porão de uma casa de ópio, um lugar perfeito para um covil de nosferatus, os personagens encontrarão o primeiro combate com forças obscuras. Não é uma cena para os fracos é chocante até o seu final e consegue seu propósito. Quando nosso heróis deixam o lugar, e as autoridades chegam o que sobra é estarrecedor, não que não fosse antes, mas a polícia não sabe. O que se passou ali é atribuído a nada menos que a volta de Jack, O estripador.

Não vou dizer mais sobre o propósito de nossos heróis (Dalton, Evan e Josh) seria estragar o prazer inicial do que parece ser uma boa história que não economiza em misturar tantas coisas conhecidas e arranjar um bom jeito para isso, como trazer para o conjunto alguns outros elementos que não são normalmente associados ao que vemos. É uma ousadia? É sim, mas se der certo é possível que teremos para o deleite de nossos olhos algo com uma qualidade impar. Tomará não queime eu, a língua.

Outro elemento interessante da série é a releitura feita pelos criadores para as criaturas sombrias já conhecidas por nós. No covil em que ocorre o primeiro confronto temos os tradicionais sugadores de sangue com aparência bem humana, mas o líder é algo bem pavoroso, que se aproxima mais dos Nosferatus dos contos góticos germânicos. Quando abatido, e durante a autopsia realizada por um brilhante anatomista que é ninguém menos que Victor Frankenstein, se revela como algo parecido com um inseto com um “exoesqueleto”, por baixo disso, uma pele coberta de hieróglifos, que é na verdade o Livro dos Mortos Egípcio. Nosso Victor aqui, também se dedica a perscrutar a vida e a morte com a criação de uma criatura que nem de perto lembra o clássico monstro de Frankenstein, é ver para se surpreender em como ficou a coisa toda.



Resumindo, Penny Dreadful é uma série elegante, provocativa e com qualidade. Os cenários são detalhistas, bem como o figurino e a ambientação. Evan Grenn domina todas as cenas em que aparece, como sempre, mas isso não diminui a força dos outros protagonistas/personagens. Josh Hartenett, sempre deixa aquela dúvida e isso não é particular a série. Nunca sei se ele é um excelente ator ou ruim demais, por que ele é um tanto inexpressivo, beirando a falta de carisma – consegue ser ainda assim, no mínimo curioso. Faz sentido? Timothy Dalton (Sir malcom Murray), é como um velho vinho que amadureceu e ficou melhor e aqui cabe com perfeição no papel de explorador de forças sobrenaturais, ainda que seu propósito seja pessoal numa busca de redenção ao que parece de algum pecado que inclui o personagem de Eva. Uma narrativa instigante que prende, com diálogos feitos para impressionar – como aquele que Sir Malcolm constata “o momento em que você percebe que não é mais o caçador, você é a caça” – aparecem aos montes e, por vezes, dificultam nosso entendimento do enredo. Nada muito grave. A série é toda poética, bem pensada, bem feita. Ah! Nem mesmo as cenas de nudez foram censuradas – foi tudo bem comedido, mas estava lá. E sabe a filha desaparecida do Sir Malcolm? Então, é uma velha conhecida nossa…

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar no 01Pd! Seja bem vindo e volte sempre!