quarta-feira, abril 23, 2014

Caustic Love - Paolo Nutini - Nutini em chamas.


Paolo Giovanni Nutini (09/01/1987) é um músico, cantor e compositor nascido em Paisley, na Escócia. Seu primeiro disco, chamado "These Streets", foi lançado em 2006, trazendo como single (e sucesso imediato) a balada "Last Request". Seu segundo disco "Sunny Side Up", lançado em 2009, trouxe uma inesperada mudança de rumo. Enquanto "These Streets" tinha uma levada mais pop, "Sunny Side Up" tinha uma pegada mais voltada para o soul, o blues e o reggae. Dois discos tão completamente diferentes que causaram estranheza em seus fãs.




Eu, particularmente, me senti inicialmente repelido pelo segundo disco do cara. Mas algumas semanas depois sentei-me com calma e... vi-me apaixonado pela qualidade e pela ironia de Paolo, que cantava amor e sofrimento entre batidas alegres e ensolaradas. Neste segundo disco destaco as belíssimas "Candy" (single) e "Tricks Of The Trade".


Esperamos então cinco longos anos pelo seu mais novo trabalho, "Caustic Love". (Ouça o disco completo abaixo):



A espera longa e sofrida não foi em vão. Paolo novamente surpreendeu seus fãs com sua voz rouca e uma sensibilidade britânica, porém bebendo intensamente da música afro-americana das décadas de 1960 e 1970. Em "Caustic Love", R&B e Soul mesclam-se a batidas eletrônicas e samples inesperados mas extremamente bem costurados. Sua voz, muitas vezes, remete-nos à paixão cantada de Al Green (impossível não fazer esta ligação...), porém mantém sua identidade e reforça, com este trabalho atípico e de muita qualidade, aquilo que todo fã já sabia:

Nutini tem talento pra caralho. Suas músicas têm a sua cara, expressam seja lá o que ele esteja sentindo de maneira tão transparente que você poderia tomá-lo por um velho amigo.


Claro, tem umas viagens... inexplicáveis. "Bus Talk", um interlúdio, é meio pirada e, em minha opinião, poderia ser retirada do disco sem prejuízo nenhum... mas se você fizer isso, o tecido de retalhos criado por Paolo fica meio esburacado e deselegante.

O carro-chefe de "Caustic Love", porém, é a balada "Iron Sky", que nos leva a pensar sobre nosso papel no mundo e sobre nossas relações com a natureza e entre nós mesmos. Nessa belezura onde o baixo pulsa onipresente, Paolo costurou excertos do discurso de Charles Chaplin em "O Grande Ditador", dando à música um peso e uma profundidade capazes de emocionar até ao maior psicopata ou capitalista.


O outro single do álbum é "Scream (Funk My Life Up)", extremamente dançante e feliz. Esta é a faixa de abertura, e bebe descaradamente da música da década de 1970.

Minhas preferidas são: "Let Me Down Easy" (puro R&B, coisa linda, com uma backing vocal belíssima cantando lindamente); "Better Man" (uma baladinha que começa só com voz e violão, espetacular por sua simplicidade, mas que cresce e é acrescida por outros instrumentos e, inegavelmente, te levará às alturas); "Diana" (uma declaração de amor meio sombria que flerta com música eletrônica dançante e traz uma guitarra distorcida que às vezes soa como um grito ou um miado. Você escuta e se apaixona também por Diana); "Looking For Something" (no ritmo do disco, uma música de alto astral muito gostosa e que explora todo o potencial vocal de Paolo - uma das melhores, em minha opinião); "Cherry Blossom" (que começa inocente e termina com gritos rascantes e apaixonados de um Nutini em chamas), e a última do disco, a bela e agradável cantiga "Someone Like You", com uma cara de música dos anos 1960 tão bacana que te deixa com aquele sorriso bobo na cara.

"Caustic Love" vai te levar de 0 a 100 km por hora em menos de um segundo. Paolo Nutini te presenteia com uma montanha russa de emoções e texturas que te provoca e te leva a sair de tua zona de conforto.


Perfeito. Um dos melhores de 2014 disparado.


Até minha próxima incerta por aqui.



2 comentários:

  1. Porra, que texto excelente! Não que os outros não sejam, mas esse foi inspiradíssimo!
    À altura do disco.

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