quinta-feira, junho 13, 2013

Remy Zero - The Golden Hum, 2001

Dia 162 - Felipe Pereira 156

Dez anos abrindo Smallville. DEZ ANOS cantando o mesmo Somebody Save Me, toda semana durante dez longos e intermináveis anos! Isso é bastante para causar um desinteresse automático e totalmente justificado por uma banda cuja única música de sucesso abriu durante DEZ ANOS o maior caso de gosto duvidoso da TV mundial.
Remy Zero teve uma trajetória curta, lançou poucos discos e se findou após a morte de seu baterista. O vocalista fundou uma nova banda, um outro cara entrou para uma banda sem grandes repercussões e o outro restante foi tocar com a Alanis Morissette (o cara que morreu teve um final menos infeliz que esse aqui...).
O caso é que Remy Zero, apesar de pouco conhecida, é uma banda de qualidade inegável. A maior prova disso é que os caras despertaram, logo no início da carreira, o interesse de ninguém menos que o Radiohead, que apadrinhou a banda. Os caras começaram a carreira abrindo os show da turnê de The Bends. Isso não é pouca coisa.
O primeiro disco veio em 1996, se chamava Remy Zero e tinha uma sonoridade um tanto prematura, tinha potencial mas tinha muito a evoluir. O segundo, Villa Elaine (1998) dava provas claras dessa evolução, dava um salto de qualidade notável, trazia uma maturidade visível. Mas foi o terceiro (e último) que mostrou ao que veio. The Golden Hum, lançado em 2001, alcançava tudo o que havia sido prometido no disco de 1996. Tinha uma beleza e uma grandiosidade poéticas: arranjos trabalhados, letras bem escritas, o vocal poderoso de Cinjun Tate fechava o disco (e a carreira) do Remy Zero com chave de ouro.
The Golden Hum é uma playlist completa, um Best Of de um disco só. Tudo, da primeira à última música, se aproveita.
TGH vai do bom rock inspirado à balada triste de uma forma simples e orgânica, por vezes mistura os dois num rock melancólico, romântico e verdadeiro. Músicas como Out/In e Bitter são basicamente isso. Glorious #1 é um rock mais frenético e irritado, com um refrão grudento solos de guitarra empolgantes. Até mesmo Save Me, quando escutada por completo se revela uma boa (uma excelente) música. Mas é nas baladas tristes que o RZ revela sua competência e sua complexidade. Canções como I’m Not Affraid e Perfect Memory chegam a ser tocantes, a segunda principalmente. Perfect Memory é densa e bela, chega a ser impactante e ao mesmo tempo triste, mas é impossível de parar de ouvir.
Tem rock, tem pop, tem balada, tem trilha sonora de série meia boca, mas é no fundo do poço que ele se faz completo, é na lama que ele se mostra como é.
A banda acabou, rendeu poucos (e bons) discos, mas deixou um belo legado!
E mesmo que esteja no limbo, mesmo que um integrante tenha morrido, aqui e acolá eles dão um sinal de vida.
E para quem quiser matar saudades de Smallville (se é que alguém sente saudades de Smallville)...

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