Dia 162 - Felipe Pereira 156
Dez anos abrindo Smallville. DEZ ANOS cantando o mesmo
Somebody Save Me, toda semana durante dez longos e intermináveis anos! Isso é
bastante para causar um desinteresse automático e totalmente justificado por
uma banda cuja única música de sucesso abriu durante DEZ ANOS o maior caso de
gosto duvidoso da TV mundial.
Remy Zero teve uma trajetória
curta, lançou poucos discos e se findou após a morte de seu baterista. O
vocalista fundou uma nova banda, um outro cara entrou para uma banda sem
grandes repercussões e o outro restante foi tocar com a Alanis Morissette (o
cara que morreu teve um final menos infeliz que esse aqui...).
O caso é que Remy Zero, apesar
de pouco conhecida, é uma banda de qualidade inegável. A maior prova disso é
que os caras despertaram, logo no início da carreira, o interesse de ninguém
menos que o Radiohead, que apadrinhou a banda. Os caras começaram a carreira
abrindo os show da turnê de The Bends. Isso não é pouca coisa.
O primeiro disco veio em 1996,
se chamava Remy Zero e tinha uma sonoridade um tanto prematura, tinha potencial
mas tinha muito a evoluir. O segundo, Villa Elaine (1998) dava provas claras
dessa evolução, dava um salto de qualidade notável, trazia uma maturidade
visível. Mas foi o terceiro (e último) que mostrou ao que veio. The Golden Hum,
lançado em 2001, alcançava tudo o que havia sido prometido no disco de 1996. Tinha
uma beleza e uma grandiosidade poéticas: arranjos trabalhados, letras bem
escritas, o vocal poderoso de Cinjun Tate fechava o disco (e a carreira) do
Remy Zero com chave de ouro.
The Golden Hum é uma playlist
completa, um Best Of de um disco só. Tudo, da primeira à última música, se
aproveita.
TGH vai do bom rock inspirado
à balada triste de uma forma simples e orgânica, por vezes mistura os dois num
rock melancólico, romântico e verdadeiro. Músicas como Out/In e Bitter são
basicamente isso. Glorious #1 é um rock mais frenético e irritado, com um
refrão grudento solos de guitarra empolgantes. Até mesmo Save Me, quando
escutada por completo se revela uma boa (uma excelente) música. Mas é nas
baladas tristes que o RZ revela sua competência e sua complexidade. Canções
como I’m Not Affraid e Perfect Memory chegam a ser tocantes, a segunda
principalmente. Perfect Memory é densa e bela, chega a ser impactante e ao
mesmo tempo triste, mas é impossível de parar de ouvir.
Tem rock, tem pop, tem balada,
tem trilha sonora de série meia boca, mas é no fundo do poço que ele se faz
completo, é na lama que ele se mostra como é.
A banda acabou, rendeu poucos
(e bons) discos, mas deixou um belo legado!
E mesmo que esteja no limbo,
mesmo que um integrante tenha morrido, aqui e acolá eles dão um sinal de vida.
E para quem quiser matar saudades de Smallville (se é que alguém sente saudades de Smallville)...
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