Dia 160 - Felipe Pereira 154
Where The Wild Things Are - 2008
Dir: Spike Jonze
Elenco: Max Records, Pepita Emmerichs, Catherine O'Hara
Ataque de oportunidade perdida!
Pensa rápido: quem foi o cara que fez aniversário ontem?
Dica: foi um cara que fez parte da infância de muita gente e a maioria nem
sabe. Nada?
Maurice Bernard Sendak foi um escritor e ilustrador
americano, duas vezes vencedor do prêmio Hans Christian Andersen, o prêmio
máximo da literatura infanto juvenil.
Entre suas obras estão, segurem-se na cadeira, Os Sete
Monstrinhos e O Pequeno Urso, aquelas duas animações da TV Cultura. Sério. Sem
piada, eu tô doente demais pra fazer piada.
Duas séries animadas que eu, em minha infância (regada a
Dragon Ball e Yu Yu Hakusho) achava particularmente insuportáveis. E acho ainda
hoje, para falar a verdade.
Mas não é dessas obras que falaremos hoje, é de uma bem mais
relevante e interessante, adaptada para os cinemas pelas mãos do sempre ensandecido
Spike Jonze, baseado em um livro ilustrado de 48 páginas e apenas sete frases:
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ONDE
VIVEM OS MONSTROS
Where The Wild Things Are conta a história de Max (Max
Records), um garoto daqueles impossíveis, daqueles desgraçados mesmo, malcriado,
birrento, chorão... Você aos 8 anos de idade. Max vive com a mãe, Mãe (esse é o
nome dela), em sua casa no subúrbio de algum canto aê (repare no comprometimento
deste que vos fala para com os detalhes). Apesar da travessura e das
traquinagens (agressivas) do garoto, os dois vivem bem e em certa harmonia. Até
que a, até então solteira, Mãe arranja um namorado (Mark Ruffalo numa
participação minúscula e sem falas) e o garoto fica furioso de ciúmes da mãe,
arma um barraco e foge de casa.
E é nessa fuga que ele vai parar num lugar inacreditável,
uma ilha selvagem e inexplorada, tão real quanto a cidade e a casa onde vive
com a Mãe e totalmente, completamente povoada por monstros peludos e imensos! E
todos, dentro da medida do possível, bondosos.
Monstros dos mais diversos tipos e formas, cada um com
uma personalidade única (cada um representa um aspecto da mente confusa e
conflitante do próprio Max). Lá, com os monstros, Max se vê completo, agora ele
está com seres como ele, que o compreendem e não o recriminam por nada que
faça, tudo é uma grande brincadeira, tudo é motivo para diversão.
E lá, no meio daquela monstruosa bagunça, Max é
proclamado o Rei dos Monstros.
Onde Vivem Os Monstros é irregular em suas sensações. Em
certos momentos é divertidíssimo ver toda aquela zona criada por Max e os
Monstros naquele lugar fantástico (os cenários, grande parte, reais são
deslumbrantes: castelos de pedra, montanhas absurdas, desertos desoladores), em
outros é melancólico, em outros é reflexivo, em outros é realmente triste, uma
verdadeira montanha russa, acredito, tratando-se se de Spike Jonze, algo
perfeitamente calculado.
Outras coisas perfeitamente calculadas foram a escolha do
elenco: Max Records, o jovem protagonista, está surpreendentemente competente, Catherine
Keener, a Mãe, mesmo em um papel pequeno esbanja carisma, até Mark Ruffalo em seu
papel microscópico aparece bem. Mas o charme da produção está no elenco peludo
e monstruoso: para der vida aos monstros gigantescos que habitam a ilha/cabeça
de Max, Jonze convidou ninguém menos que James Gandolfini, Paul Dano, Catherine
O'Hara e Forest Whitaker, enquanto dublês animam as criaturas.
Outro ponto é a fotografia Lance Acord, amarelada, granulada, cheia de textura. Sem falar na (mudando de assunto) trilha sonora especialíssima e animalesca da Karen O (Yeah Yeah Yeahs) com um coral de crianças, ficou sensacional. E a música do Arcade Fire no trailer fechou o bagulho todo com chave de ouro!
Acredito que Onde Vivem os Monstros tenha um grande significado para o diretor Spike Jonze: É seu filme menos cabeça, mais coração, extremamente intimista, cheio de detalhezinhos que passam despercebidos à maioria. Só quem se identifica sabe e vê.
O filme foi lançado em 2008, Sendak faleceu em 2012 e
teve tempo para ver e rever sua obra mais brilhantemente adaptada ir às telas
do cinema. Seu livrinho de 48 páginas e sete frases ganhou tridimensionalidade
e conteúdo como ele nunca imaginou.
E o suficiente para ver o quanto sua obra influenciou e
influencia até hoje a cultura pop...
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