terça-feira, junho 11, 2013

Onde Vivem os Monstros

Dia 160 - Felipe Pereira 154
Where The Wild Things Are - 2008
Dir: Spike Jonze
Elenco:  Max Records, Pepita Emmerichs, Catherine O'Hara

Ataque de oportunidade perdida!
Pensa rápido: quem foi o cara que fez aniversário ontem? Dica: foi um cara que fez parte da infância de muita gente e a maioria nem sabe. Nada?
Maurice Bernard Sendak foi um escritor e ilustrador americano, duas vezes vencedor do prêmio Hans Christian Andersen, o prêmio máximo da literatura infanto juvenil.
Entre suas obras estão, segurem-se na cadeira, Os Sete Monstrinhos e O Pequeno Urso, aquelas duas animações da TV Cultura. Sério. Sem piada, eu tô doente demais pra fazer piada.
Duas séries animadas que eu, em minha infância (regada a Dragon Ball e Yu Yu Hakusho) achava particularmente insuportáveis. E acho ainda hoje, para falar a verdade.
Mas não é dessas obras que falaremos hoje, é de uma bem mais relevante e interessante, adaptada para os cinemas pelas mãos do sempre ensandecido Spike Jonze, baseado em um livro ilustrado de 48 páginas e apenas sete frases:


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ONDE VIVEM OS MONSTROS

Where The Wild Things Are conta a história de Max (Max Records), um garoto daqueles impossíveis, daqueles desgraçados mesmo, malcriado, birrento, chorão... Você aos 8 anos de idade. Max vive com a mãe, Mãe (esse é o nome dela), em sua casa no subúrbio de algum canto aê (repare no comprometimento deste que vos fala para com os detalhes). Apesar da travessura e das traquinagens (agressivas) do garoto, os dois vivem bem e em certa harmonia. Até que a, até então solteira, Mãe arranja um namorado (Mark Ruffalo numa participação minúscula e sem falas) e o garoto fica furioso de ciúmes da mãe, arma um barraco e foge de casa.

E é nessa fuga que ele vai parar num lugar inacreditável, uma ilha selvagem e inexplorada, tão real quanto a cidade e a casa onde vive com a Mãe e totalmente, completamente povoada por monstros peludos e imensos! E todos, dentro da medida do possível, bondosos.
Monstros dos mais diversos tipos e formas, cada um com uma personalidade única (cada um representa um aspecto da mente confusa e conflitante do próprio Max). Lá, com os monstros, Max se vê completo, agora ele está com seres como ele, que o compreendem e não o recriminam por nada que faça, tudo é uma grande brincadeira, tudo é motivo para diversão.
E lá, no meio daquela monstruosa bagunça, Max é proclamado o Rei dos Monstros.
Onde Vivem Os Monstros é irregular em suas sensações. Em certos momentos é divertidíssimo ver toda aquela zona criada por Max e os Monstros naquele lugar fantástico (os cenários, grande parte, reais são deslumbrantes: castelos de pedra, montanhas absurdas, desertos desoladores), em outros é melancólico, em outros é reflexivo, em outros é realmente triste, uma verdadeira montanha russa, acredito, tratando-se se de Spike Jonze, algo perfeitamente calculado.
Outras coisas perfeitamente calculadas foram a escolha do elenco: Max Records, o jovem protagonista, está surpreendentemente competente, Catherine Keener, a Mãe, mesmo em um papel pequeno esbanja carisma, até Mark Ruffalo em seu papel microscópico aparece bem. Mas o charme da produção está no elenco peludo e monstruoso: para der vida aos monstros gigantescos que habitam a ilha/cabeça de Max, Jonze convidou ninguém menos que James Gandolfini, Paul Dano, Catherine O'Hara e Forest Whitaker, enquanto dublês animam as criaturas. 

Outro ponto é a fotografia Lance Acord, amarelada, granulada, cheia de textura. Sem falar na (mudando de assunto) trilha sonora especialíssima e animalesca da Karen O (Yeah Yeah Yeahs) com um coral de crianças, ficou sensacional. E a música do Arcade Fire no trailer fechou o bagulho todo com chave de ouro!
Acredito que Onde Vivem os Monstros tenha um grande significado para o diretor Spike Jonze: É seu filme menos cabeça, mais coração, extremamente intimista, cheio de detalhezinhos que passam despercebidos à maioria. Só quem se identifica sabe e vê.
O filme foi lançado em 2008, Sendak faleceu em 2012 e teve tempo para ver e rever sua obra mais brilhantemente adaptada ir às telas do cinema. Seu livrinho de 48 páginas e sete frases ganhou tridimensionalidade e conteúdo como ele nunca imaginou.
E o suficiente para ver o quanto sua obra influenciou e influencia até hoje a cultura pop...

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