quarta-feira, junho 12, 2013

Maricotinha: Maria Bethânia

Dia 161. Euclides Sousa, 145



Maria Bethânia, o que dizer de ti? Como falar de tua pessoa sagrada sem música, sem a tua música, que é perfeita e cheia de clareza, luar,  água de rio e poesia?

O máximo que me atrevo é viajar e me entregar aos sentimentos que tuas canções me despertam. Tua voz, que é guia amoroso e luminoso, conduz o ouvinte a clareiras de pensamento e lagos de águas claras, peixes coloridos, aroma de maça e mato verde.

Até a solidão é mais bonita quando nos acompanhamos de ti. Tua voz é o despertador que todos desejaríamos ter.

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"Maricotinha" é como uma brisa que te despenteia e refresca. Cheio de segredos com gosto de presente, tudo aquilo que há de belo num relacionamento vem atrás de lindas canções.


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ANÁLISE

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
             
Fernando Pessoa, 12-1911

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Assinado: um fã de Bethânia.

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