sexta-feira, junho 14, 2013

Identidade

Dia 163 - Felipe Pereira 158
Identity - 2003
Dir: James Mangold
Elenco: John Cusack, Ray Liotta, Amanda Peet

Mais um da série “filmes que eu vejo mil vezes e não canso nunca”: Identidade.
James Mangold é um diretor de contrato, daqueles do tipo “pagando bem, que mal tem”. Sua filmografia tem obras excelentes, grandes promessas e uma ou outra mancha, mas ela se mantém regular. É o tipo de diretor com quem os estúdios gostam de trabalhar, é um cara competente e profissional que sabe chegar a acordos. Flexível.
Um cara que às vezes foge à regra e entrega algo pessoal e original (na medida do possível). Identidade tem essa cara, tem essa vibe de originalidade.
Na trama, no meio de uma noite de tempestade, um grupo de desconhecidos se abriga num hotel vazio (exceto pelo gerente do lugar (1)). Cada um deles tem uma história maluca pra contar (ou pra esconder). Um deles é o motorista (2) de uma atriz (3), outro é um policial (4) escoltando um assassino (5), há também uma família (mãe (6), padrasto (7) e filho (8) com problemas, um casal recém casado (9 e 10) e uma moça que foge de seu passado (11). Todos eles estão ligados de alguma forma e esse elo vai sendo revelado conforme a história se desenvolve.

Todos estão nesse hotel durante essa tempestade, coisas aconteceram no caminho para lá e os ânimos estão exaltados. Coisas como o motorista da atriz John Cussack) atropelar a matriarca da família por acidente, deixando-a entre a vida e a morte, coisas como a chegada de um policial suspeito (Ray Liotta) escoltando um assassino em série para um lugar cheio de pessoas indefesas, coisas como a atriz desaparecer do nada para, logo em seguida, ter a cabeça encontrada dentro de uma máquina de lavar, junto de um chaveiro com um número: o número dez.
Então começa: uma série de mortes misteriosas, todas violentíssimas, e todos estão acompanhados de um chaveiro enumerado. Ao perceber o padrão, a galera fica loucaça. Não há como sair daquele lugar por conta da tempestade, não há para onde ir pelo mesmo motivo e não dá pra confiar em ninguém ali, afinal são todos desconhecidos. Tudo o que eles podem fazer é especular e tentar descobrir quem deles é o assassino, afinal de contas eles estão sozinhos num lugar onde pessoas estão sendo assassinadas, logo um deles está fazendo aquilo. Certo?
O problema é que eles ficam jogando a culpa um para o outro, não chegam a conclusão nenhuma e a galera continua morrendo. E o mistério e a tensão continuam aumentando vertiginosamente.
Então, na metade do filme se revela o grande truque, o que poderia ser decepcionante (e é, de certa forma) se o diretor não soubesse o que está fazendo. A grande revelação que se faz na metade do filme dá a ele um novo questionamento, um questionamento bem batido. A coisa de “quem matou Odete Roitman” é meio deixada de lado e passa a ser “quem sobreviverá ao assassino de Odete Roitman”. Vira uma matança generalizada, o assassino nunca se revela, o número de suspeitos vai caindo e nenhum deles parece o tipo que mata pessoas.

A trama se torna psicológica, deixa de ser um simples suspense, o final se revela na metade do filme, mas só se você prestar bem atenção. É quase impossível sacar de primeira.
A resolução do caso seria absurda e ridícula fora do contexto, mas aqui é até ousada, diferente.

Identidade é um daqueles filmes em que o final é tudo. Pode explodir cabeças ou estragar a experiência e define a coisa toda, é a máxima revelação, a grande surpresa, o truque do qual a atenção estava sendo desviada. A revelação faz com que o filme se torne um daqueles que você só assiste uma vez, depois não tem mais graça, você já sabe o final.
Mas o desenrolar da história, o elenco e a direção fazem com que valha a pena ver e rever o bagulho quantas vezes houver vontade.
Sabendo ou não o final, Identidade nunca perde a graça.




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Um comentário:

  1. Muito bom mesmo. Já assisti várias vezes e sei que vou assistir mais algumas. Confesso que da primeira vez que assisti só percebi do que se tratava o filme no final.

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