Dia 163. Michel 146.
Há uma dicotomia essencial. Dividimos o mundo em duas partes, ou enxergamos em dois espectros diferentes, rotulando, julgando, escolhendo um de dois caminhos. Sempre divididos entre o que é agradável e o que é doloroso, entre o dia e a noite, o bem e o mal.
Não que isso seja a natureza das coisas. Não. As coisas em si não são boas ou más, apenas são. Nós é que damos sentido a tudo o que nos cerca e nos diz respeito.
* * *
Enfim...
The Cardigans tem, para mim, gosto de adolescência, de Liceu Estadual do Ceará, de MTV - a época de ouro, o final dos anos 1990, antes do negócio esculhambar. Quem não vibrou, sonhou, dormiu, pensou e se apaixonou ao som da - CLÁSSICA - "Lovefool"?
Mas não é dela que vamos falar hoje. (AAAAHHHHHHH...)
Vamos idolatrar um pouco a beleza de Nina Persson - após ouvir sua maravilhosa e suave voz... -e retomar o post.
"Gran Turismo" (1998) é um disco cheio de personalidade. Guitarras agressivas e distorcidas acompanham a voz de Nina em arranjos que se mesclam de maneira tecnorgânica. O álbum nos conta uma história que é cheia de encontros, desencontros, perdas e sacrifícios. Um trabalho de vanguarda, corajoso e bem fora dos padrões da época, cheio de contrastes, luz e sombra, aflição e alegria, um certo desespero com um soriso louco.
Essa é Erase/Rewind. Nasceu clássica.
Traduzindo para o português-BR? Um puta disco. Do começo ao fim, cheio de mojo.
Para quem não conhece The Cardigans, vai de saída: eles são suecos, mas sua música não é fria e impessoal. Há harmonia naquilo que querem nos passar. Há segredos ali, nas adjacências, nas profundezas próximas. O masculino e o feminino estão ali conectados e em movimento constante.
Um disco feito para se ouvir no carro à noite, janelas abertas, som no máximo.
E viajar além das aparências e dos simples julgamentos das coisas.
Bom fim de semana. Até.


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