Cinema - Assis Oliveira
Filme: Byzantiium (2012) - IMDb 6,7
Direção: Neil Jordan
Roteiro: Moira Buffini
Atores: Gema Arterton, Saoirse Ronan,Caleb Landri Jones e outros
Duração: 118 min
Numa época em que a criatividade de Hollywoodiana afronta o mito dos vampiros com seus caças niqueis, assistir esse filme de Neil Jordan é um balsamo. Nada de estranho vindo do cara que levou pra telas um dos mais fantásticos e cultuados romances sobre o tema, "Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles" de Anne Rice. Jordan não se define nem como um bom nem como um mau católico irlandês, mas aqui e como em Entrevista com Vampiros, ele chafurda de novo na culpa. Ok! Sr. Jordan vou acreditar que tudo isso seja mesmo mesmo inconsciente.
Se você como eu, começar a ver este filme sem saber que história ele vai lhe contar demorará para perceber que estamos falando de criaturas imortais que só caminham pela terra nas sombras da noite, não, elas andam de dia. Mulheres vampiras no cinema são sempre coadjuvantes e nem tem muita importância, estão lá apenas para ilustrar a trama e mexer com a nossa libido. Eleonor (Saoirse Ronan) e Clara (Gemma Arterton), elas são as nossas criaturas que habitam a terra há mais de 200 anos e lutam para sobreviver num mundo, que a exemplo do real, também é controlado pelos machos. Eleonor ousou. Tomou para si a imortalidade que não era seu presente e foi mais longe quando percebeu que o fardo dessa imortalidade era ainda pior se vivido na solidão, ai transformou a própria filha em mais uma "soucriant". Elas não tem o direito de usurpar uma dádiva exclusiva dos soucriant machos, a de fazer justiça com suas longas unhas. Clara cria suas próprias regras, regras que servem apenas para a sobrevivência das duas, regras que as escondem de seus perseguidores.
Eleonor sofre, sofre por não poder falar a verdade, e ela escreve. Escreve a sua verdade, escreve sobre quem ela é e depois atira as paginas escritas ao vento e alimenta o sentimento de que alguém irá ler sobre a sua verdade. Sua mãe faz aquilo que toda mãe sabe fazer melhor: proteger sua cria.
Eleonor é quase uma criatura de sentimentos humanos e escolheu se alimentar apenas daqueles que não desejam mais viver. Visita pacientes terminais em hospitais e os liberta segundo ela mesmo, do fardo de continuar vivendo. Ela é o anjo da morte com seu capuz vermelho sangue.
Esse não é um filme assustador como esperaríamos de uma história de vampiros, mas lhe fisga desde do primeiro minuto mesmo não sabendo nada sobre as personagens que não deixam pistas sobre o que são. Toda trama se passa em um velho hotel de nome Byzantium a beira de um pier para onde as duas fogem depois de terem sido descoberta em seu ultimo refugio, mas quando Eleonor se apaixona, seu desejo de contar a verdade sobre quem é para o jovem Frank (Caleb Landri Jones) poe em risco as suas existência.
Saoirse faz uma Eleonor com seus verdes olhos triste que nos comove desde logo e nos faz compartilhar a dor de sua condenação. Ela culpa Clara por sua dor e sua tristeza, não há maldade nela, ela não se importa e parece que sucumbe em imensa dor quando tira a vida dos mortais para se alimentar. Clara não age mais com misericórdia, só agiu assim uma vez em sua existência e pagou com a sua liberdade. A irmandade continua seguindo as duas, para a irmandade Clara é a usurpadora e deve deixar o mundo dos vivos junto com suas cria, ela podia até ter ficado em paz, mas ousou criar uma igual.
Li algumas coisas sobre o romance de Eleonor e Frank e embora algumas desejavam comparar o filme com a famigerada saga "Twiligth", apenas por causa disso, devo dizer que não há comparação possível, o foco de Jordan não é o romance de ambos, é mais sobre o que Eleonor e Clara são e como elas se tornaram o que são. E se você curtir essas adoráveis criaturas que são os vampiros, com certeza irão gostar das duas.





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