segunda-feira, julho 08, 2013

MADRUGADA DOS MORTOS

Dia 185 Felipe Pereira 177

Dawn of The Dead - 2004
Dir: Zack Snyder
Elenco: Sarah Polley, Ving Rhames, Jake Weber

“E ouvi uma voz no meio das quatro bestas,
Olhei e contemplei: um cavalo pálido
E seu nome, que estava assentado nele, era Morte
E o inferno veio com ele”

“O inferno está transbordando e Satã está nos enviando seus mortos. Por quê?
Porque vocês fazem sexo fora do casamento, matam crianças que não nasceram, têm relações de homem com homem, casamentos de pessoas do mesmo sexo.
Como acham que o seu Deus os julgará?”

 Madrugada dos Mortos é um marco para o entretenimento zumbístico. Primeiro por que é um dos principais responsáveis por trazer de volta a onda de mortos vivos que infectou a cultura pop dos dias atuais. Depois por que lançou no mercado o, até então, estreante Zack Snyder, um dos nomes mais influentes da nova safra de diretores blockbuster.

A história conta como se dá o início do fim da humanidade por conta do apocalipse zumbi, quando um grupo de sobreviventes se abriga em um shopping enquanto planeja como vai escapar do lugar ao mesmo tempo em que, do lado de fora, os mortos levantam de seus túmulos e decidem devorar qualquer coisa que se mova.
A trama clássica de apocalipse zumbi, principalmente por que MdM se trata de um remake do clássico de mesmo nome do mestre do horror George Romero. Eu nem ia falar mas acho o original tosquíssimo, até mesmo para a época. Entendo seu valor, mas prefiro o remake.

A primeira parte do filme aborda uma série de questões recorrentes a obras do gênero, como as reações de certos grupos ideológicos ao acontecido, como a reação de algumas pessoas que veem na situação uma chance de tirar proveito das outras, entre outras coisas, além de uma crítica social discreta a respeito do consumismo (que você pode ignorar completamente em prol da diversão).
O filme definiu um bocado do que entendemos como apocalipse zumbi moderno, acabou por influenciar muito (bem mais que Extermínio) tudo o que temos de material sobre os desmortos atualmente, além disso DotD ajudou a difundir o conceito de zumbi velocista que se propagou após o terrível 28 Days Later, lançado dois anos antes.
O filme é a estreia do diretor Zack Snyder no cinema e, como tal, é permeado de pequenas falhas, maioria estilística, que sequer chegam a incomodar. Uma série de pequenos excessos, de leves superficialidades, de decisões duvidosas (tanto do roteiro quanto dos personagens), além de ter um ar um tanto quanto amador. Mas isso nem de longe é problema se for levado em conta a criatividade do diretor e da equipe em desenvolver mortos vivos.
E nesse quesito Madrugada dos Mortos conta com uma série de perversões malucas que compensam demais essas pequenas falhas. Coisas como zumbi chinês, zumbi sem pernas, zumbi bebê, velha obesa zumbi, grávida zumbi, uma zona, uma zona!

Em certo momento os sobreviventes, em número já reduzido, decidem deixar o local em busca de outro mais seguro e é aí que a coisa pega fogo, por que os arredores do local estão completamente tomados por mortos vivos e eles estão famintos e cada vez mais violentos.
E nesse ponto o filme vira um Left 4 Dead maluco e sangrento com direito a serra elétrica, headshot e tudo o mais.

Madrugada dos Mortos é algo embrionário para a cultura zumbi atual, cheio de referências aos grandes clássicos do passado e que serve de base para tudo o que tem acontecido nessa área nesses dias e nos futuros.

Se um dia ocorrer um apocalipse zumbi, eu gostaria que fosse como esse. Surtado, elétrico e alucinado, tocando Johnny Cash e mudando para sempre esse mundinho tedioso no qual vivemos.



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